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A minha visão para um outro mundo, mais justo, fraterno, livre e equitativo.
"Tem lançamento previsto para o fim de Outubro, mas já está online a filosofia desta revista inovadora em Portugal e no estrangeiro, assim como respectivos colaboradores que estão a tornar possível este projecto editorial independente."
No final do mail, assinava a directora - "se acredita neste conceito, divulgue. E participe". Pois eu já sou um "believer"!
Conservare lo spirito dell’infanzia
dentro di sé per tutta la vita
vuol dire conservare
la curiosità di conoscere
il piacere di capire
la voglia di comunicare.
Bruno Munari
O que é realmente importante é encontrarmos a felicidade e conseguirmos gerir as nossas vidas. Apesar de estarmos no caminho espiritual podemos perdermo-nos num estudo intelectual. Daí que, pensemos que temos que optar por um caminho espiritual ou um caminho material.
Temos duas influências:
1 – A parte mais religiosa – diz-nos que não somos ninguém, somos meros pecadores e
2 – A parte mais científica – ensina-nos que não há nada para além da mente.
E por isso, estamos bloqueados nestes dois caminhos.
Buda, quando passou por este mundo descobriu como ultrapassar este dilema, e por isso, também nós o podemos fazer.
Tanto no Budismo como no Hinduísmo, cada um tem a faculdade de saber tudo. Quando Buda descobriu o segredo do universo sorriu porque se apercebeu que a finalidade de tudo é a felicidade. Quando nos apercebemos da verdade última do universo, sorrimos sem esforço: é a felicidade suprema. Quando nos apercebemos da verdadeira natureza ficamos felizes.
Uma das causas principais da depressão é a solidão. A não-aceitação – rejeição. Cada um está a um nível e ritmo diferentes, logo cada um experimenta de forma distinta.
A nossa primeira reacção a um problema é pensarmos porque é que isto está a acontecer comigo, e ao invocarmos o nosso ego somos conduzidos ao sofrimento. No momento em que nos identificamos com o ego, ficamos separados dos outros e nessa luta contra os outros quem é que pode ganhar?! Temporariamente podemos pensar que ganhamos porque o nosso ego parece forte. Porém, o problema surge quando rejeitamos o nosso ego.
A partir do momento em que deixamos de desenvolver o nosso ego tornamo-nos mais ligados aos outros.
Desde muito cedo criamos o nosso ego na noção de independência.
Outra causa da solidão é a competição, a qual conduz à falta de confiança, que por sua vez provoca a ausência de ligação com o outro. Neste vazio surgem sentimentos como a raiva, o ciúme e a inveja.
Na realidade, estamos sempre ligados. Quando dizemos que há uma ligação entre nós, as pessoas pensam, de imediato, que houve alguma ligação noutras vidas. Isso pode ser verdade mas não é importante. As nossas consciências estão ligadas. Quando não há ligação entre cada um de nós há o sentimento de solidão. A separação física não é a causa da solidão. A causa da solidão é mental.
Uma das formas de combater a solidão é redescobrir a nossa verdadeira natureza. Todos temos a natureza de Buda.
Temos à nossa volta milhares de Budas. Quando dizemos que o Buda que está no universo se liga ao Buda que está dentro de nós, atingimos a verdadeira realização.
Quando sofremos desenvolvemos uma atitude que vai provocar um sofrimento ainda maior do que a causa que lhe deu origem.
Basta que nos coloquemos no lugar do outro para desviarmos a atenção do nosso sofrimento e experimentamos um alívio. Temos que redescobrir o nosso potencial para podermos controlar a situação em vez da situação nos controlar.
No extremo da solidão surge a depressão. Ficamos no estado da depressão porque adoramos a depressão. Do ponto de vista dos ensinamentos tântricos permanecemos na depressão porque assim o escolhemos.
A razão porque não redescobrimos o nosso potencial é porque a nossa mente está sempre distraída. Uma das ferramentas para o redescobrir é estarmos atentos.
Outra das causas da depressão advém do facto de uma pessoa focar toda a atenção numa determinada situação e todos os outros pensamentos são aglutinados e fundem-se nesse.
O estado da depressão é o melhor exemplo da inexistência da felicidade. É como se estivéssemos fechados numa casa e só olhássemos por uma janela. A causa principal da depressão não é a de termos perdido alguém mas a de querermos permanecer naquele estado, é uma decisão consciente.
Por isso, não podemos fazer tudo de uma vez mas sermos mais flexíveis. Quanto mais agarrarmos a nossa mão mais nos magoamos. No momento em que a soltamos é que descobrimos que nos sentimos bem. Ao atingirmos a verdadeira compreensão da nossa natureza, a solidão e a depressão não são possíveis.
A transformação começa por nós. No Tibete diz-se que termos um karma para sermos ricos não é o suficiente.
O que realmente interessa é como e quão felizes estamos e usarmos essa felicidade para lidarmos com as coisas menos agradáveis da nossa vida. Poderá um rio beber da sua própria água?! Poderá uma árvore alimentar-se da sua própria fruta?! Ao darmo-nos aos outros não vamos perder a nossa identidade. Gradualmente, podemos viver de uma forma menos egoísta e darmo-nos mais aos outros. Desta forma, a nossa vida transformar-se-á…
*Resumo da Palestra “Solidão e depressão” – A nova doença da actualidade (publicado no blog http://artetibetanadacura.blogspot.com)
"Nego submeter-me ao medo,
Que tira a alegria da minha liberdade,
Que não me deixa arriscar nada,
Que me torna pequeno e mesquinho,
Que me amarra,
Que não me deixa ser directo e franco,
Que me persegue,
Que ocupa negativamente a minha imaginação,
Que sempre pinta visões sombrias,
No entanto, não quero levantar barricadas por medo do medo.
EU QUERO VIVER, não quero encerrar-me.
Não quero ser amigável por medo de ser sincero.
QUERO PISAR FIRME PORQUE ESTOU SEGURO.
E não quero encobrir o meu medo.
E quando me calo, quero fazê-lo por amor,
E não por temer as consequências das minhas palavras.
Não quero acreditar em algo por medo de acreditar.
Não quero filosofar por medo que algo possa atingir-me de perto.
Não quero dobrar-me, por medo de não ser amável.
Não quero impor algo aos outros, por medo de que possam impor-me algo a mim.
Por medo de errar não quero tornar-me inactivo.
Não quero voltar para o velho, o inaceitável, por medo de não me sentir seguro no novo.
Não quero fazer-me de importante por medo de ser ignorado.
POR CONVICÇÃO DE AMOR, quero fazer o que faço e deixar de fazer o que deixo de fazer.
Do medo quero arrancar o domínio e dá-lo ao amor.
E QUERO CRER NO REINO QUE EXISTE EM MIM ."