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26 de fevereiro de 2009

"Anxos" e "Demónios" nas Eleições Galegas 2009



Como emigrante na Galiza, no próximo dia 1 de Março, não poderei votar. Apesar de viver aqui á já mais de um ano e cumprir com todos os deveres que um normal cidadão cumpre para com o estado espanhol, não terei o direito de voto. Ao contrário, os netos de galegos imigrados na Argentina, como em quase todo o mundo, poderão fazê-lo, apesar de não saberem sequer onde fica a capital da Galiza. É neste contexto, em que decorrem as actuais eleições autonómicas em Espanha que eu me enquadro. Devo dizer que aqui me sinto acolhido como em casa. Sinto-me em casa. Em muitos aspectos, tanto no plano dos serviços sociais, como da administração pública, tenho que dizer que o seu funcionamento é exemplar (á luz do que se passa no meu país). Posso usufrir de todos os direitos a que, um cidadão espanhol ou galego, aspira.
Nestas eleições, não podendo exercer o único direito básico da democracia representativa, posso (ainda) exercer da democracia participativa, que é precisamente o que estou fazendo - escrever o que penso neste blog. Por isso rompi o longo silêncio destas ruidosas semanas de pré e pro-campanha eleitoral para falar dos "Anxos" e dos "Demónios" que por aqui se apresentam.
Não sou, por natureza uma pessoa apologista dos nacionalismos. Os nacionalismos que temos neste momento a emergir e nalguns casos, em destacados lugares de poder de vários governos europeus, são um retrocesso muito perigoso ao terrorífico e negro passado da história europeia. Partidos neo-nazis, de extrema-direita, xenófobos, tem representação nas mais altas esferas dos vários orgãos da União Europeia. São um forte bloco, unido, activo e nalguns preocupantes casos, com grande poder de influência. Assim foi como Hitler chegou ao poder e quase que reinou a Europa inteira, com o aterrador holocasto que destruiu milhões de vidas humanas...
Quando aqui cheguei, naturalmente a minha preocupação era pelo facto de haver um partido nacionalista no poder. Por total ignorância, desconhecia por completo as suas bases históricas e fundacionais. Desconhecia por completo a realidade galega. O seu programa, as suas ideias, os seus projectos e a sua acção no governo. Não é que hoje possa falar com mais circusntância que há um ano atrás. Posso falar da vivência directa e da experiência directa. Este é um nacionalismo de raiz destinta dos demais. O nacionalismo do BNG, como o vejo de fora, é um nacionalismo internacionalista, digamos. É solidário com os povos palestina, Sarauhi, como nós portugueses fomos com o povo de Timor. Teria em Portugal como referência o Bloco de Esquerda. Um movimento de movimentos, um conjunto de várias tendências, que se alinham, desde os mais alternativos - ligados ao Forum Social Mundial, até aos mais centristas, como Anxo Quintana, que buscam o consenso com os Socialistas Galegos do PSdG, partido maioritário no governo de bipartido que governou na actual legislatura.
Como observador interessado, direi que no conjunto e sem ter uma comparação vivenciada, este parece-me ser um bom exemplo de governo: um governo de minoria, onde a negociação é fundamental, onde as políticas são consensuadas e tem que buscar estar acima das visões monopartidárias, típicas dos sistemas maioritários. Um governo em que cada partido tem que prestar contas pelo seu ministério, e simultaneamente ser solidário com as políticas do governo no seu todo. Um governo com uma política social ampla, participativa e dirigida para os interesses dos cidadãos (da Galiza, em particular); que aposta no ambiente, na habitação "socializada", no meio ambiente e no desenvolvimento sustentável. Um governo que tem na inovação uma forte aposta, e que tem feito elevados investimentos nessa área (A Galiza é uma das regiões que mais se desenvolveu nos últimos anos na inovação).
Dizendo de esta forma, poderia ser fácil de concluir quem são os "anjos" e quem são os "demónios" - os outros: os do PP e eventualmente alguns do PSdG, que está "algemado" ás políticas macro-económicas do PSOE e do governo central (e o PP da oposição central).
Esta realidade não é assim tão simples. Direi já, para que não fiquem dúvidas, que se pudesse, votaria BNG. Ainda que nem só de "Anxos" vivam os nacionalistas... também eles tem, como todos, os seus "demónios"... Mas uns tem mais "demónios" que outros. Para mim o maior de todos os "demónios" do PP é a sua política para a imigração. Na pior linha dos nacionalismos xenófobos da extrema-direita europeia. Com isso não posso pactuar.
Também o PSdG tem os seus "demónios", pela sua subjugação aos interesses macro-nacionais da grande Espanha, que o amarram, sem que possa ter uma visão mais local, e que eventalmente, alguns dos seus 'anjos' desejariam poder desenvolver.
No momento actual tudo pode acontecer. Qualquer das forças em combate pode vencer esta batalha. Termino deixando o apelo: entre "Anxos" e "Demónios" que venham os que podem usar do seu direito de voto e que, em consciência, votem - por nós imigrantes que não o podemos fazer.

17 de fevereiro de 2009

"Crise" e Humor



John Bird y John Fortune são dois stand-up comedians ingleses 'especialistas' em humor político. Pois esta dupla de humoristas britânicos (conhecidos por “The Long Johns”) realizaram uma paródia televisiva na que um deles (jornalista) entrevista a George Parr, um fictício agente de investimentos. O vídeo está circulando á algum tempo na net, (...) é uma das mais bem humoradas explicações sobre o momento actual...

Texto baseado no post original em castelhano publicado no blog:
http://www.maikelnai.es

15 de julho de 2008

Ecos da Grande Festa da Troca Solidária!

"A Festa estava linda, pá..."
Chico Buarque




No passado Domingo, 6 Junho
Foi bom celebrar com tantas pessoas que me acompanharam na vida. Rever a familia, pessoas que me conhecem desde criança, amigos de infância, amigas de presente caminho holístico... Foi uma oportunidade para todos, de experimentar uma outra forma de troca, a troca solidária.

Doei várias coisas do recheio da minha casa, que nesta nova fase da minha vida, são desnecessárias, e que não pude trazer comigo, para a minha nova casa. A festa foi um verdadeiro sucesso. Posso dizer que ultrapassou as minhas próprias expectactivas, tanto em adesão, como em participação. Acima de tudo valeu pelo espirito com as pessoas se apresentaram e 'entraram' também na onda Festa da doação. Fico super-feliz, por saber que muitas das coisas, que deixaram de ser úteis para mim, ganharam uma nova vida, para os muitos 'visitantes' que para li passaram.

Esta foi uma iniciativa inspirada nos valores da economia solidária. Partiu da necessidade de dar um destino útil a esses objectos que deixaram de ser úteis para mim, e que não queria simplesmente deitar fora. Porque acredito que todas as coisas têem um valor, nem que seja simbólico, propûs uma troca; doei os meus objectos em troca do que cada pessoa se dispôs a fixar como o valor justo para o seu donativo, dentro das suas possibilidades. Esta já é uma prática de muitos milhões de humanos, que em vários pontos do planeta, buscam todos os dias novas formas de 'comércio' justo, solidário, baseado no trocal. Uma prática tão milenar, quanto o são as trocas de produtos e serviços entre pessoas.

Animou-me de tal forma esta iniciativa, que não pude deixar de a compartilhar com os 'meus' leitores. Estou animado a lançar outras iniciativas com companheiros do lugar onde vivo, e a lançar aqui esta semente. Sei que esta é uma forma singela de contribuir para a sustentabilidade do planeta; é a que está ao meu alcance e que me faz muito sentido!
Acredito que se cada um de nós, contribuir com a sua parte, podemos mudar as muitas consciências, a partir da acção consciente, do consumo consciente e das trocas solidárias.
Animo a todos os que não sabem o que fazer dos seus objectos, a organizarem festas ou feiras solidárias. Onde o principio é o do ganha-ganha e não o de ganham uns e pedem outros. Todos podemos ganhar com esta forma solidária de economia. Os promotores, as pessoas que encontram algo que ainda pode ser útil para si, por um valor justo e solidário. Ganha a sociedade, porque permite a algumas pessoas com menos recursos, de acederem a bens que de outra forma não seria possível. Ganha o planeta, pois aumenta-se o ciclo de vida de objectos de de outra forma, seriam simplesmente eliminados, com custos muito elevados, em termos ambientais para o planeta.
Animo-os a lançarem estas iniciativas, no vosso grupo de amigos, no vosso bairro, na vossa comunidade. A criatividade de cada um pode trazer novas formas de por em acção este ideia. Se simplesmente cada um contribuir com a sua gota de água, estará contribuindo para gerar uma onda de mudança, que é já um grande começo.

9 de março de 2008

MARCHA PACÍFICA DE PROTESTO

Divulgação:

"Marcha Pacífica de Protesto Contra a Violação dos Direitos Humanos no Tibete por Parte da China

No próximo dia 10 de Março, aniversário da revolta do povo tibetano, em 1959, contra a ocupação e repressão chinesa, serão realizadas marchas pacíficas e acções de protesto em todo o mundo, exigindo o respeito pelos direitos humanos no Tibete, o reconhecimento do direito do povo tibetano à autonomia, a libertação dos presos políticos por parte da China, país que procede a um genocídio étnico e cultural no Tibete e que viola brutalmente os mais elementares direitos de homens e animais.


Estas acções acontecem também no dia em que começará a marcha pacífica de regresso de muitos tibetanos ao Tibete, a partir de Dharamsala, na Índia, inspirada na Marcha do Sal promovida por Gandhi. Estas acções não são contra o povo chinês, mas apenas contra a política do actual governo chinês, que oprime o seu próprio povo e não está à altura da sua grande tradição cultural, onde avultam os valores da milenar sabedoria confucionista, taoista e budista.

Cabe aos portugueses, com uma tradição de humanismo universalista, que tanto se mobilizaram por Timor e que recentemente tão bem receberam Sua Santidade o Dalai Lama, não permanecerem indiferentes a esta nem a nenhuma forma de opressão existente no mundo.

LISBOA: com concentração no Rossio junto à estátua, pelas 18.30, de onde seguirá para o Largo de Camões e de seguida para o Cais do Sodré.
PORTO: com concentração nos Leões, pelas 18h30, seguindo pela Avenida dos Aliados e Sta. Catarina.
FUNCHAL: concentração no Parque de Santa Catarina, pelas 18h30.


ORGANIZAÇÃO:
União Budista Portuguesa -Sede Tel: 21 363 43 63 www.uniaobudista.pt
U.B.P - Delegação Porto Tm: 91 954 45 78/ 91 708 83 71 lco_lecioferreira@sapo.pt
Songtsen - Casa da Cultura do Tibete Tel: 21 390 40 22 www.casadaculturadotibete.org
Casa do Tibete na Madeira Tm: 96 507 66 87 www.casatibete.pt.vu

CONTACTO (Media):
Tm: +351 91 811 30 21

APOIO:
Amnistia Internacional + Associação Agostinho da Silva
"

Vida para lá das Eleições (en España)

"A democracia é o pior de todos os sistemas, com excepção de todos os outros"
Sérgio Godinho, músico e compositor português



Hoje é dia de eleições em Espanha. Já aqui escrevi sobre o tema, e para fique claro, não quero desenvolver muito mais sobre este assunto, que tanto tem estado na primeira linha das preocupações dos meus irmãos espanhóis. Depois de vários meses de discursos, de debates, de campanhas, de acções dos vários partidos, das várias propostas, hoje cabe a "nuestros hermanos" decidir sobre o seu futuro. Ganhe quem ganhar, entre as duas prováveis forças capazes de o conseguir, PSOE ou PP, o que importa é o que será o pós 9-M.
Será o depois que decidirá a vida de milhões de cidadãos? Não o creio. A Vida tal como a entendo, é muito mais do que o exercicio do direito de voto. Sem dúvida um bem precioso, para quem vive em sociedade, algo, que em jovens democracias como Espanha ou Portugal, deve ser valorizado e apoiado. No entanto essa é apenas uma das muitas formas de exercicio de cidadania. O que estou aqui e agora mesmo fazendo (escrever o que penso) neste blog, é uma outra forma, não menos válida, não menos importante de ser cidadão. Muitas outras formas quotidianas existem que podem ser um contributo válido para essa tal de democracia.
Para mim a questão que mais me importa, é sem dúvida, saber como humanos, podemos aproximarmos mais uns dos outros, na dança da vida, aproximarmo-nos da natureza, criar pontes em vez de muros; pontes que nos aproximem, para lá de todas as diferenças, para lá de tudo o que possa ser destinto entre cada um de nós. Não é uma busca de um unanimismo 'fabricado', mas de um espaço de diálogo e de consenso, mais do que necessário para que possamos prosseguir, mais do que como cidadãos, mas como espécie. Como diz na canção Sérgio Godinho, 'dançar c0mo amigo(s) só", poderia facilitar-nos a construção de pontes, que para lá das destintas formas de ver e pensar o mundo nos pudesse aproximar em vez de afastar. Para lá das eleições, a Vida pede-nos que com consciência saibamos fazer escolhas, não apenas nos ciclos eleitorais, mas em cada segundo que respiramos.

10 de fevereiro de 2008

Yo extranjero ¡me confeso!

"No me llames extranjero, ni pienses de dónde vengo, mejor saber dónde vamos, adónde nos lleva el tiempo. (...)Mírame bien a los ojos, mucho más allá del odio, del egoísmo y el miedo ¡¡¡No puedo ser extranjero!!!
¡Y verás que soy un hombre!
"
Canción-poema de Rafael Amor

(ES - Castellano)
Como recién llegado, a un par de meses, en Galicia - me tengo 'abstenido' de escribir sobre la política partidaria de ese nuestro querido país hermano, que tan bien me acogió. No solo por que tengo la humildad de reconocer lo poco que sabia (que se) sobre los meandros de a política partidaria de España, de la gestión del poder publico, y quien san as fuerzas que se mueven en ese plano. Busqué hace que aquí llegué tener una actitud de observador, de escucha atenta a todas las corrientes de pensamiento, aunque me posicione (toda mi vida), al lado de aquellos que buscan un "Otro Mundo Mejor" (independiente de cualquier formación partidaria).
Ahora, que voy estando más informado y un poco más atento a lo que se esta pasando, voy entendiendo un poco mejor, mientras, lo que cada una de las formaciones candidatas a las próximas elecciones (9-M) proponen para el gobierno de España. Con más o menos semejanzas con lo que se pasa en Portugal, como siempre en elecciones, hay que buscar separar el ruido electoral, de lo que verdaderamente importa a los cuidadanos. Distinguirse lo que pueden ser propuestas que respondan a los principales problemas sociales, ambientales y eco-nómicos (eco que tiene que ver con un concepto ecológicamente sano), de las promesas sin profundidad, o peor, de las propuestas populistas, que por cierto darán algunos votos más para quien las hace, pero que no son consecuentes con una visón civilizacional para nuestro milenio.
Confeso, que siento ahora en mi piel lo que es ser extranjero; siento aquello miedo 'silencioso' de hablar sobre cosas, que dirán unos, no me dicen respecto, pues yo aun ni siquiera tengo el derecho de votar en España. Otros dirán que la cuidadania, debe de caminar con el humanismo, y que en la Carta Universal de los Derechos Humanos, nadie puede ser privado de la su libertad de expresión, sea en parte del planeta viva. Se la mundialización, sirve tantas atrocidades (hambre, miseria, explotación,...), pues que sirva aun para que los cuidadanos libres del mundo puedan exprimir lo que sienten, donde que estean viviendo.
Pues yo, extranjero me confeso! Aunque sea un extranjero con grande previlegio, pues vivo en una de as regiones más cercanas, en España, de mi cultura (portuguesa), de sus hábitos y 'costumbres' - Galicia. Soy un cuidadano europeo de pleno derecho, legal en España, tengo previlegios de cuidadania, que otros emigrantes, no alcancaran nunca, por muchos años que vivan, trabajen y contribuían para la prosperidad de ese país donde escogí vivir.
Aparece ahora, en medio de lo debate electoral, una de las propuestas más precipitantes sobre emigración, aun que no sea original (pues desafortunadamente esa corriente populista, tiene aun sus hermandades en Francia, Bélgica, aun en Portugal, y en otros países), no deja de ser llena de un pensamiento xenófobo.
A menudo, lo que propone el candidato del PP - Rajoi - es que todos los extranjeros sean obligados a firmar un contrato que los obligué a condiciones humillantes y violadoras de los más elementares derechos humanos - la aceptación de un integracionismo cultural, de habitos y costumbres, mui dificiles de 'definir'. Se España es un país 'maioritariamante' cristiano, y taurómaco (como Portugal), debemos ser todos, los extranjeros, convertidos, o aficionados? Donde se queda la tolerancia cultural, religiosa, civilizacional (en que España además es pionera)?
Pues cuando decidimos a emigrar para un cualquier país, es natural que la aprendizaje de la lengua, la convivencia y compartir com la cultura local, sea no solo evidentemente una necesidad, más aun una oportunidad de compartir de una vivencia multi cultural, que puede beneficiar y ampliar civilizacionalmente a todas las culturas (las de origen y las emigrantes). Cuando se busca en la emigración la 'cabeza turca' de todos los males sociales de un pobo o nación, estamos negando lo derecho a que todos puedan aspirar a la felicidad. Todos los pobos tienen sus emigrantes - españoles, gallegos, portugueses, brasileños, africanos, aun los EEUU! - y todos los pobos tienes su derecho a desear la felicidad. Cuando se busca meter los emigrantes en un chaleco de fuerzas basado en cualquier contrato, como escusa para dejar de buscar el dialogo intercultural, y se pretende imponer habitos y costumes a través de una lei ciega, estamos a forzar la naturaleza humana. Estamos a cortar las más elementales leys de convivencia humana - la tolerancia, la diversidad, el dialogo.
Yo extranjero ¡me confeso! y pido que los políticos (de todos los países, aun el mio de origen) que se proponen a gobernar nos, pesen en sus actitudes, propuestas y palabras lo cuanto podremos perder todos con la uni-culturalidad y con la imposición de valores sin respecto a los demás. Ahí crecen todos los extremismos a que me recuso dar mi silencio. Por que la solidariedad, la libertad y la aspiración a la felicidad, me toca mucho más en la consciencia que todos los miedos.

(PT)
Como recém-chegado, à um par de meses, à Galiza - região autónoma do reino de Espanha - tenho-me 'abstido' de escrever sobre a política partidária deste nosso querido país irmão, que tão bem me acolheu. Não só porque tenho a humildade de reconhecer o pouco que sabia (que sei) sobre os meandros da política partidária por terras de Sua Majestade, da gestão do poder público, e quem são forças que se movem neste plano. Procurei desde que aqui cheguei ter uma atitude de observador, de escuta atenta a todas as correntes de pensamento, ainda que me posicione (ao longo da minha vida), do lado daqueles que buscam um "Outro Mundo Melhor" (independente de qualquer formação partidária).
Agora, que vou estando mais informado, e um pouco mais atento ao que se está passando, vou entendendo um pouco melhor, por entrelinhas, o que cada uma das formações candidatas ás próximas legislativas de Março (9-M) propõem para o governo de Espanha. Com mais ou menos semelhanças com o que se passa em Portugal, como sempre em eleições, à que procurar separar o ruído eleitoralista, daquilo que verdadeiramente importa aos cidadãos. Distinguir aquilo que podem ser propostas que respondam aos principais problemas sociais, ambientais e eco-nómicos (eco dentro de um conceito ecologicamente são), das promessas sem fundo, ou pior, das propostas populistas, que certamente darão mais alguns votos a quem as faz, mas que não são consequentes com uma visão civilizacional para este milénio.
Confesso, que sinto agora na pele o que é ser estrangeiro; sinto aquele medo 'silencioso' de falar sobre coisas, que dirão uns, não me dizem respeito, pois eu ainda nem sequer tenho direito de voto em Espanha. Outros dirão que a cidadania, deve de andar a passo com o humanismo, e que segundo a Carta Universal dos Direitos do Homem, nenhum ser humano deve ser privado da sua liberdade de expressão, seja em que ponto de planeta viva. Se a mundialização, serve para tantas coisas atrozes (fome, miséria, exploração,...), que sirva também para os cidadãos livres do mundo possam exprimir o que sentem, onde quer que estejam vivendo.
Pois eu, estrangeiro me confesso! Ainda que um estrangeiro muito previligiado, pois vivo numa das regiões mais próximas, em Espanha, da minha cultura, hábitos e 'costumes' - a Galiza. Sou um cidadão europeu de pleno direito, com situação legalizada em Espanha, tenho privilégios de cidadania, que outros emigrantes, não alcançarão nunca, por muitos anos que vivam, trabalhem e contribuam para a prosperidade deste país onde escolhi viver.
Surge agora, em pleno debate eleitoral, uma das propostas mais preocupantes sobre emigração, que não sendo original (pois infelizmente esta corrente populista, tem também irmandades em França, Bélgica, até em Portugal, para além de outros países), não deixa de ser recheada de um pensamento xenófobo.
A traços largos, o que propõe o candidato pelo PP, a presidente do próximo governo de Espanha, o senhor Rajoi, é todos os estrangeiros sejam obrigados a assinar um contrato que os obrigue a condições humilhantes e violadoras dos mais elementares direitos humanos - a aceitação de um integracionismo cultural, de hábitos e de costumes, muito difíceis de 'balizar'. Se Espanha é um a país 'maioritariamante' cristão, e ligado á tauromaquia (aliás como em Portugal), devemos ser todos, os estrangeiros, convertidos, ou aficionados? Onde fica a tolerância cultural, religiosa, civilizacional (em que Espanha é pioneira)?
Sendo que quando decidimos emigrar para um qualquer país, é natural que a aprendizagem da língua, a convivência e a partilha da cultura local, seja não só evidentemente uma necessidade, mas também uma oportunidade de partilha multi cultural, que pode beneficiar e ampliar civilizacionalmente a todas as culturas (as de origem e as emigrantes). Quando se procura encontrar na emigração o bode expiatório de todos os males sociais de um povo ou nação, estamos negando o direito a que todos possam aspirar à felicidade. Todos os povos têm os seus emigrantes - espanhóis, galegos, portugueses, brasileiros, africanos, até os americanos! - e todos os povos tem o direito a aspirar à felicidade. Quando se procura meter os emigrantes num colete de forças de um qualquer contrato, como desculpa para deixar de procurar o diálogo intercultural, e se pretende impor hábitos e costumes através de uma lei cega, estamos a forçar a natureza humana. Estamos a quebrar as mais elementares leis de convivência humana - a tolerância, a diversidade, o diálogo.
Yo extranjero ¡me confeso! e peço que os políticos que se propõem a governar-nos, pesem nos actos, nas propostas e nas palavras o quanto podemos perder todos com a uni-culturalidade e com a imposição de valores sem respeito pelos do outro. Aí crescem todos os extremismos a que me recuso dar o meu silêncio. Porque a solidariedade, a liberdade e a aspiração à felicidade, tocam-me mais na consciência que todos os medos.

10 de janeiro de 2008

Ser...humano


Uma 'nova' organização que nasce com um propósito de cumprir a promessa de Ser.

Site a visitar para mais informações:
www.serhumano.org

18 de dezembro de 2007

Eles estão doidos!*

A propósito deste artigo está a circular na net uma petição contra as novas medidas de higiene alimentar da A.S.A.E., que aconselho a todos, ler, subscrever e divulgar.

*
por António Barreto (1)

A meia dúzia de lavradores que comercializam directamente os seus produtos e que sobreviveram aos centros comerciais ou às grandes superfícies vai agora ser eliminada sumariamente. Os proprietários de restaurantes caseiros que sobram, e vivem no mesmo prédio em que trabalham, preparam-se, depois da chegada da "fast food", para fechar portas e mudar de vida. Os cozinheiros que faziam a domicílio pratos e "petiscos", a fim de os vender no café ao lado e que resistiram a toneladas de batatas fritas e de gordura reciclada, podem rezar as últimas orações. Todos os que cozinhavam em casa e forneciam diariamente, aos cafés e restaurantes do bairro, sopas, doces, compotas, rissóis e croquetes, podem sonhar com outros negócios. Os artesãos que comercializam produtos confeccionados à sua maneira vão ser liquidados.

A solução final vem aí. Com a lei, as políticas, as polícias, os inspectores, os fiscais, a imprensa e a televisão. Ninguém, deste velho mundo, sobrará. Quem não quer funcionar como uma empresa, quem não usa os computadores tão generosamente distribuídos pelo país, quem não aceita as receitas harmonizadas, quem recusa fornecer-se de produtos e matérias-primas industriais e quem não quer ser igual a toda a gente está condenado. Estes exércitos de liquidação são poderosíssimos: têm Estado-maior em Bruxelas e regulam-se pelas directivas europeias elaboradas pelos mais qualificados cientistas do mundo; organizam-se no governo nacional, sob tutela carismática do Ministro da Economia e da Inovação, Manuel Pinho; e agem através do pessoal da ASAE, a organização mais falada e odiada do país, mas certamente a mais amada pelas multinacionais da gordura, pelo cartel da ração e pelos impérios do açúcar.
E não tenhamos dúvidas: um dia destes, as brigadas vêm, com estas regras, fiscalizar e ordenar as nossas casas. Para nosso bem, pois claro.
Em frente à faculdade onde dou aulas, há dois ou três cafés onde os estudantes, nos intervalos, bebem uns copos, conversam, namoram e jogam às cartas ou ao dominó. Acabou! É proibido jogar!
Nas esplanadas, a partir de Janeiro, é proibido beber café em chávenas de louça, ou vinho, águas, refrigerantes e cerveja em copos de vidro. Tem de ser em copos de plástico.
Vender, nas praias ou nas romarias, bolas de Berlim ou pastéis de nata que não sejam industriais e embalados? Proibido. Nas feiras e nos mercados, tanto em Lisboa e Porto, como em Vinhais ou Estremoz, os exércitos dos zeladores da nossa saúde e da nossa virtude fazem razias semanais e levam tudo quanto é artesanal: azeitonas, queijos, compotas, pão e enchidos. Na província, um restaurante artesanal é gerido por uma família que tem, ao lado, a sua horta, donde retira produtos como alfaces, feijão verde, coentros, galinhas e ovos? Acabou. É proibido.
Embrulhar castanhas assadas em papel de jornal? Proibido.
Trazer da terra, na estação, cerejas e morangos? Proibido.
Usar, na mesa do restaurante, um galheteiro para o azeite e o vinagre é proibido. Tem de ser garrafas especialmente preparadas. Vender, no seu restaurante, produtos da sua quinta, azeite e azeitonas, alfaces e tomate, ovos e queijos, acabou. Está proibido. Comprar um bolo-rei com fava e brinde porque os miúdos acham graça? Acabou. É proibido.
Ir a casa buscar duas folhas de alface, um prato de sopa e umas fatias de fiambre para servir uma refeição ligeira a um cliente apressado? Proibido.
Vender bolos, empadas, rissóis, merendas e croquetes caseiros é proibido. Só industriais.
É proibido ter pão congelado para uma emergência: só em arcas especiais e com fornos de descongelação especiais, aliás caríssimos. Servir areias, biscoitos, queijinhos de amêndoa e brigadeiros feitos pela vizinha, uma excelente cozinheira que faz isto há trinta anos? Proibido.
Nas esplanadas, a partir de Janeiro, é proibido beber café em chávenas de louça, ou vinho, águas, refrigerantes e cerveja em copos de vidro. Tem de ser em copos de plástico.
Vender, nas praias ou nas romarias, bolas de Berlim ou pastéis de nata que não sejam industriais e embalados? Proibido.

As regras, cujo não cumprimento leva a multas pesadas e ao encerramento do estabelecimento, são tantas que centenas de páginas não chegam para as descrever.
Nas prateleiras, diante das garrafas de Coca-Cola e de vinho tinto tem de haver etiquetas a dizer Coca-Cola e vinho tinto. Na cozinha, tem de haver uma faca de cor diferente para cada género.
Não pode haver cruzamento de circuitos e de géneros: não se pode cortar cebola na mesma mesa em que se fazem tostas mistas. No frigorífico, tem de haver sempre uma caixa com uma etiqueta "produto não válido", mesmo que esteja vazia.
Cada vez que se corta uma fatia de fiambre ou de queijo para uma sanduíche, tem de se colar uma etiqueta e inscrever a data e a hora dessa operação.
Não se pode guardar pão para, ao fim de vários dias, fazer torradas ou açorda.
Aproveitar outras sobras para confeccionar rissóis ou croquetes? Proibido.
Flores naturais nas mesas ou no balcão? Proibido. Têm de ser de plástico, papel ou tecido.
Torneiras de abrir e fechar à mão, como sempre se fizeram? Proibido. As torneiras nas cozinhas devem ser de abrir ao pé, ao cotovelo ou com célula fotoeléctrica.
As temperaturas do ambiente, no café, têm de ser medidas duas vezes por dia e devidamente registadas.
As temperaturas dos frigoríficos e das arcas têm de ser medidas três vezes por dia, registadas em folhas especiais e assinadas pelo funcionário certificado.
Usar colheres de pau para cozinhar, tratar da sopa ou dos fritos? Proibido. Tem de ser de plástico ou de aço.
Cortar tomate, couve, batata e outros legumes? Sim, pode ser. Desde que seja com facas de cores diferentes, em locais apropriados das mesas e das bancas, tendo o cuidado de fazer sempre uma etiqueta com a data e a hora do corte.
O dono do restaurante vai de vez em quando abastecer-se aos mercados e leva o seu próprio carro para transportar uns queijos, uns pacotes de leite e uns ovos? Proibido. Tem de ser em carros refrigerados.

Tudo isto, como é evidente, para nosso bem. Para proteger a nossa saúde. Para modernizar a economia. Para apostar no futuro. Para estarmos na linha da frente. E não tenhamos dúvidas: um dia destes, as brigadas vêm, com estas regras, fiscalizar e ordenar as nossas casas. Para nosso bem, pois claro.
(1) artigo de opinião de publicado no jornal "Público"

17 de dezembro de 2007

Sharing: CLIMATE CHANGE: US Herded Into Consensus in Bali

CLIMATE CHANGE: US Herded Into Consensus in Bali
By Marwaan Macan-Markar

NUSA DUA, Bali, Indonesia, Dec 15 (IPS) - It was left to India, China, South Africa and Brazil to stand up for the developing world and steer the United States towards the consensus as a major two-week international climate change conference ended here on Saturday.

The final agreement for the ‘Bali Roadmap’ was struck when the head of the U.S. government delegation, Paula Dobriansky, conceded ground to insightful and, at times, emotional appeals by countries from the Group of 77 and China. ‘’We will go forward and join the consensus,’’ said Dobriansky, under secretary of state for democracy and global affairs, to loud applause.

The deep frustration shared by the members of G-77, a 130-member bloc of developing countries spanning Africa, Asia and Latin America, to U.S. objections to language in the final text of the roadmap was best echoed by the delegate from Papua New Guinea. ‘’If you cannot lead, leave it to the rest of us. Please get out of the way,’’ a visibly angry Kevin Conrad told U.S. officials to cheers from other delegates.
(read more...)

10 de dezembro de 2007

GLOBAL WARMING! I TAKE ACTION, AND YOU?



(Eng.)
On this days, politicians, global leaders of the World, UN represents, scientists, specialists, hundred of experts, are gathered in Bali to discuss Global Warming (and what actions should be taken to change the actual scenario). At least of 'victory' as already happen: the new prime-minister of Australia, finally sign the Kyoto Protocol! It's an example for the all political community! Someone who gives the example: the promises made to citizens should be accomplished immediately. And on this issue, about the sustainability of the Planet, it's a moral question!
We also can take action! And on this video, there's an good example of citizenship in Action! So, my contribute, is to share this with you, and spread the word. See it, ask yourself what can you do. I do my 'Colibri's' part. I share my seed... and you?

(Pt.)
Por estes dias, políticos, líderes do Mundo Globa, representantes da ONU, cientistas, centenas de especialistas, estão reunidos em Bali, na Indonésia, para discutir o Aquecimento Global (e que acções devem ser tomadas para actuar no actua cenário). Pelo menos, uma pequena/grande vitória já aconteceu: o 'novo' primeiro-ministro da Austrália, finalmente ratificou o Protocolo de Kioto! É um exemplo para toda a comunidade política! Alguém que dá o exemplo: as promesas feitas (durante a campanha eleitoral) aos cidadãos devem ser cumpridas imediatamente. E neste assunto, quando a questão é a sustentabilidade do Planet, trata-se, (mais do que cumprir uma promessa eleitoral), de cumprir com um compromisso moral!
Nós também podemos passar á acção! Neste vídeo, podemos ver um bom exemplo de activismo e de cidadania! Por isso, o meu contributo é partilhá-lo convosco e 'passar-a- palavra'. Vejam-o, e perguntem-se a vocês mesmos, o que podem fazer. Por mim, faço o papel do Colibrí - partilho a minha semente... e você?

24 de novembro de 2007

¡NO ME LLAMES EXTRANJERO!


No me llames extranjero,
porque haya nacido lejos,
o porque tenga otro nombre
la tierra de donde vengo.
No me llames extranjero,
porque fue distinto el seno,
o porque acunó mi infancia
otro idioma de los cuentos.
No me llames extranjero
si en el amor de una madre,
tuvimos la misma luz,
en el canto y en el beso,
con que nos sueñan iguales
las madres contra su pecho.
No me llames extranjero,
ni pienses de dónde vengo,
mejor saber dónde vamos,
adónde nos lleva el tiempo.
No me llames extranjero,
porque tu pan y tu fuego,
calman mi hambre y mi frío,
y me cobija tu techo.
No me llames extranjero,
tu trigo es como mi trigo,
tu mano como la mía,
tu fuego como mi fuego
y el hambre no avisa nunca,
vive cambiando de dueño.
Y me llamas extranjero…
porque me trajo un camino,
porque nací en otro pueblo,
porque conozco otros mares
y zarpé un día de otro puerto,
si siempre quedan iguales
en el adiós los pañuelos
y las pupilas borrosas
de los que dejamos lejos.
Los amigos que nos nombran
y son iguales los rezos
y el amor de la que sueña
con el día del regreso.
Traemos el mismo grito,
el mismo cansancio viejo
que viene arrastrando el hombre
desde el fondo de los tiempos,
cuando no existían fronteras,
antes que vinieran ellos…
Los que dividen y matan,
los que roban,
los que mienten,
los que venden nuestros sueños,
los que inventaron un día esta palabra…
¡¡¡ “extranjero” !!!
No me llames extranjero
que es una palabra triste,
que es una palabra helada
huele a olvido y a destierro.
No me llames extranjero
mira tu niño y el mío
cómo corren de la mano
hasta el final del sendero.
No los llames extranjeros,
ellos no saben de idiomas,
de límites ni banderas,
míralos se van al cielo
con una risa paloma,
que los reúne en el vuelo.
No me llames extranjero
piensa en tu hermano y el mío,
el cuerpo lleno de balas besando de muerte el suelo.
Ellos no eran extranjeros,
se conocían de siempre;
por la libertad eterna,
igual de libres murieron.
¡¡¡No me llames extranjero!!!
Mírame bien a los ojos,
mucho más allá del odio,
del egoísmo y el miedo
¡¡¡No puedo ser extranjero!!!
¡Y verás que soy un hombre!

Canción-poema de Rafael Amor

15 de novembro de 2007

The falling of Creative Class*

"Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho o meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo."

Bertold Brecht

Relembro este 'velho' poema que percorreu a minha juventude, e admiro a sua contemporaneidade. Volto ainda a relembrar um artigo que publiquei aqui á precisamente um ano atrás - Capital Cultural - e que reflecte sobre o valor gerado pela "Classe Criativa" para a economia europeia. Faço a ponte com um estudo, "Europe in the Creative Age", publicado em 2004, de Richard Florida, autor de "The Rise of the Creative Class, e fundador do "Creative Class Group".
Este é o momento para tomar posição e acabar com o silenciamento de algumas "verdades inconvenientes". Não o faço porque temo que me 'levem' a mim (isso está a acontecer neste momento), mas porque acredito que é absolutamente uma questão moral e ética falar sobre a realidade de milhares de 'criadores' que vivem hoje na mais pura das misérias, integrando o corpo de desempregados, precários e pobres que perfazem já mais de 20% da população portuguesa. Não faço ideia da dimensão europeia do problema, mas acredito que andará por valores próximos (embora mais baixos do que os portugueses).
Inspiram-me os monges budistas da Birmânia, que decidiram não calar mais a sua consciência, que tiveram a nobreza e a coragem de saírem à rua denunciando (mundialmente) a imoralidade, a ditadura, a opressão, a miséria e a fome em vive o povo do seu país.
Acredito que esta é uma questão moral, porque creio que não pode ser admissível que aqueles que estão entre os que mais contribuem para a 'riqueza' da Europa, sejam precisamente aqueles que estão entre os mais sacrificados (ninguém deve ser sacrificado).
Há um ano atrás era capa do jornal Público - "CULTURA COM MAIS PESO NA ECONOMIA EUROPEIA DO QUE SECTOR AUTOMÓVEL". Fiquei estúpido na altura! Foi necessário que, um conceituado economista europeu, contratado pela comissão europeia
(segundo o artigo publicado), conclui-se que o sector da Cultura contribuia mais para o PIB europeu, que uma das mais poluentes e destruidoras industrias do planeta (a automóvel, e todas aquelas a si associadas, como a do petróleo), para esta questão, do valor da Cultura, viesse á luz do dia. Hoje, com as questões das alterações climáticas a entrarem-nos todos os dias pelas nossas vidas adentro - já não se tratam apenas de previsões, ou estudos, mas da realidade indesmentível, de secas, cheias, tufões, subidas do nível do mar, temperaturas e fenómenos metereológicos anómalos - é mais do que indispensável actuar; é necessário mudar de paradigma! Porque esta é absolutamente uma questão de sobrevivência do Planeta!
Olho em volta e vejo como, uma "classe" que tanto contribui para o desenvolvimento humano - de artistas, criadores, escritores, investigadores, professores, actores, pensadores (e tantos outros que criam cultura) - está sendo cada vez mais arredada de um dos direitos humanos mais elementares: o direito ao trabalho em condições dignas e respeitadoras da sua inteireza enquanto Ser.
Recorro ao estudo de Richard Florida, só para citar alguns dados, referindo que Portugal foi considerado o país mais atrasado nesse campo (o do crescimento da 'Classe Criativa' na Europa). Mas mais do que isso, é também interessante mencionar que o país mais bem colocado é a Suécia, na maioria dos índices estudados - tolerância, criatividade e crescimento económico - colocando-se mesmo, este país, á frente do EUA (o que não é nada de admirar...).
Isto faz-me pensar, que, ou valorizamos pouco o capital criativo e toda a riqueza gerada por este sector, ou estamos cegos e não queremos ver, ou simplesmente estamos alheados de toda esta realidade, e não aprendemos nada, com os nossos parceiros suecos.
Não consigo calar a minha indignação perante o sofrimento que vejo (e sinto) todos os dias à minha volta. Sinto que somos muitos milhões de seres, com capacidade, talento, criatividade, inteligência, arte e engenho, que podemos contribuir para o desenvolvimento deste País, e desta Comunidade Europeia, e estamos sendo arredados da possibilidade de o fazer. Aqueles que de nós, já o fizeram durante mais de uma década, ajudando e contribuindo para a prosperidade de marcas, produtos, serviços, empresas, que demos muito à economia do nosso país, acabámos por ser 'expurgados', de uma ou de outra forma, muitas das vezes, simplesmente, por discordamos do modelo vigente (o mesmo que está agora mesmo mostrando as suas consequências, através da destruição ambiental do planeta!). Marginalizados pelo sistema, somos empurrados para a margem da sociedade. Já somos demasiado velhos (com 38 anos!!!) para continuar a servir os interesses económicos (selvagens) que dominam toda a economia e somos ainda demasiado novos para nos reformarmos. Aliás não conheço ninguém que o queira! Queremos poder trabalhar e continuar contribuindo para o desenvolvimento (sustentável) do nosso país! Queremos poder colocar o nosso talento ao serviço do bem-comum, da justiça económica, social e ambiental! Queremos e merecemos ser respeitados pelo valor que produzimos, pelo capital que ajudamos a criar. Queremos uma distribuição justa e equitativa dos dividendos do nosso trabalho criativo, e queremos que esse valor seja repartido por todos aqueles que estão sofrendo com a fome e as condições sociais desumanas! Queremos poder contribuir para um planeta mais sustentável, para uma Europa criativa e criadora de bem-estar para todos.
É imoral que este país seja governado por engenheiros, gestores, economistas
(com todo o respeito por estes profissionais), especuladores financeiros, 'figuras públicas', burocratas (com menos consideração por estes últimos), que sugam a energia criadora de todo um povo, que lhes levam toda a sua energia, que lhes roubam a alma! Não é moral, por exemplo, que no nosso país, que uns que 'roubam' milhões de euros (uns 12, outros mais, alguns menos), sejam não só perdoados como até abençoados; enquanto que por outro lado aqueles que contribuem para o desenvolvimento de um mundo mais aberto, mais tolerante, mais criativo, mais próspero para todos, são tratados muitas vezes como criminosos, porque deixaram de conseguir cumprir com as suas obrigações mais elementares, para com a casa, a educação, a alimentação, (já não nem falo da exclusão cultural!), às vezes com perseguições 'caricatas' por dívidas de (uns míseros) 400 euros ao banco!
É imoral que a "classe" criativa (assim como de muitos e muitos milhões de concidadãos de outras 'classes' desfavorecidas) estejam a ser empurrados para o 'esgoto', enquanto os multimilionários, ajudados pelas classes dirigentes de políticos sem escrúpulos, exibem vergonhosamente a sua riqueza nos media que eles próprios financiam.
Perante esta realidade, pergunto: o que fazemos? Ficamos calados, deixamos de assumir com a nossa consciência uma posição clara? Ou tomamos posição e passamos á acção? Deixo a pergunta, para que possamos reflectir e agir juntos. Antes que nos levem de vez!
Porque a queda da classe criativa, é a queda de toda a cultura democrática, acessível a todos, partilhada por todos, e que contribui para, muito mais do que o crescimento económico: contribui para a liberdade, a diversidade e a riqueza espiritual de um povo.

Voltarei ao tema, porque o tema, é a minha própria vida, e convoco todos os criadores, a tomarem posição, a não calarem o que sentem, porque um dia, pode ser tarde de mais, e quando dermos conta, seremos mais do que uma "classe" em queda, seremos prisioneiros de um qualquer regime "saudosista" que regresse das brumas do nevoeiro em que vivemos todos os dias...


*A queda da 'Classe Criativa'. Titulo inspirado em "The raise of the Creative Class" (a ascensão da 'Classe Criativa')

18 de outubro de 2007

Conferencia Hoxe (Pobre Mundo Rico)

Simposio: "Pobre Mundo Rico"

Conferencia JESÚS MARÍA ALEMANY(1):

"Novos conflitos e pobreza. Proposta para unha Axenda de Paz"

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(1) Presidente da Fundación "Seminario de Investigación para a Paz" de Zaragoza.

Santiago de Compostela
Auditorio Facultade de Ciencias da Comunicación
Xoves 18/10/2007
19:30
USC - Campus Norte
Avda. Castelao, s/n

17 de outubro de 2007

Conferência de Marcos Arruda...

Em 2005, tive a felicidade de o conhecer pessoalmente, num inesquecível seminário de 2 dias, em Portugal (Unipaz Portugal). Falando de um tema que lhe é muito querido; a Sócio-Economia Solidária. Marcos Arruda é um homem menos mediático que Al Gore, e naturalmente menos conhecido, mas o seu trabalho, nos meios do 3º sector da Economia é largamente conhecido pelos seus livros, artigos, seminários e conferências. Desde então que mantenho com ele uma correspondência por mail, a espaços, e é alguém que sigo com muito atenção. Um activista da consciência social, um brasileiro no mundo, procurando contribuir com as suas ideias para um "Outro Mundo Possível".

Agora, alegra-me saber que será um dos oradores no Simpósio Internacional, que está decorrendo por esses dias, na Galiza (sobre o qual já publiquei aqui um post.).

Simposio: "Pobre Mundo Rico"

Conferencias MARCOS ARRUDA: "Riqueza, pobreza e ecoloxía"

e BERNARD CASSEN: "Como a clase mundial de súper-ricos está destruíndo

MARCOS ARRUDA, Coordinador xeral do Instituto de Políticas Alternativas para o Cono Sur, Brasil.
BERNARD CASSEN. Director xeral de Le Monde Diplomatique e fundador de ATTAC.

En Ferrol. Ateneo Ferrolán o día Mércores 07/11/2007 ás 19:30

Enderezo: Rúa Magdalena, 202-204

21 de setembro de 2007

20 de setembro de 2007

Parar para pensar nas estragégias de desenvolvimento (sustentável?)

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Nos tempos actuais, precisamos de parar e reflectir, como cidadãos, para onde corremos nós, em termos de desenvolvimento, perante as opções que se nos apresentam, e questionar se serão as mais sustentáveis, não apenas para Portugal, mas também para o Planeta.

"Travar para Pensar (*)

Há uns meses optei por ir de Copenhaga a Estocolmo de comboio. Comprado o bilhete, dei comigo num comboio que só se diferenciava dos nossos Alfa por ser menos luxuoso e dotado de menos serviços de apoio aos passageiros.

A viagem, através de florestas geladas e planícies brancas a perder de vista, demorou cerca de cinco horas.

Não fora ser crítico do projecto TGV e conhecer a realidade económica e social desses países, daria comigo a pensar que os nórdicos, emblemas únicos dos superavites orçamentais, seriam mesmo uns tontos. Se não os conhecesse bem perguntaria onde gastam eles os abundantes recursos resultantes da substantiva criação de riqueza.

A resposta está na excelência das suas escolas, na qualidade do seu Ensino Superior, nos seus museus e escolas de arte, nas creches e jardins-de-infância em cada esquina, nas políticas pró-activas de apoio à terceira idade. Percebe-se bem porque não construíram estádios de futebol desnecessários, porque não constroem aeroportos em cima de pântanos nem optam por ter comboios supersónicos que só agradam a meia dúzia de multinacionais.

O TGV é um transporte adaptado a países de dimensão continental, extensos, onde o comboio rápido é, numa perspectiva de tempo de viagem/custo por passageiro, competitivo com o transporte aéreo.

É por isso, para além da já referida pressão de certos grupos que fornecem essas tecnologias, que existe TGV em França ou Espanha (com pequenas extensões a países vizinhos). É por razões de sensatez que não o encontramos na Noruega, na Suécia, na Holanda e em muitos outros países ricos. Tirar 20 ou 30 minutos ao Lisboa-Porto à custa de um investimento de cercade 7,5 mil milhões de euros não terá qualquer repercussão na economia do País.

Para além de que, dado hoje ser um projecto praticamente não financiado pela União Europeia, ser um presente envenenado para várias gerações de portugueses que, com mais ou menos engenharia financeira, o vão ter de pagar.

Com 7,5 mil milhões de euros pode construir-se mil escolas Básicas e Secundárias de primeiríssimo mundo que substituam as mais de cinco mil obsoletas e subdimensionadas (a 2,5 milhões de euros cada uma), mais mil creches inexistentes (a 1 milhão de euros cada uma), mais mil centros de dia para os nossos idosos (a 1 milhão de euros cada um).

Ainda sobrariam cerca de 3,5 mil milhões de euros para aplicar em muitas outras carências, como a urgente reabilitação de toda a degradada rede viária secundária.

Cabe ao Governo reflectir.
Cabe à Oposição contrapor.
Cabe aos cidadãos manifestarem-se!!!

Cabe à tua consciência reencaminhar ou deixar ficar."

Por consciência decidi publicar.

(*) Um artigo interessante, como expressão de cidadania, que me chegou por email, através
de uma amiga, embora de autor desconhecido, que entendi plubicar aqui na integra.

5 de junho de 2007

Dia Mundial do Ambiente

portugal2100

Hoje no Destak, no dia Mundial do Ambiente, noticia-se um alerta da Quercus, a que não podemos ficar indiferentes. Seria interessante ver os vários candidatos, nas actuais eleições para a Câmara de Lisboa, a discutirem soluções e alternativas no presente para esse 'futuro', que aí está. As "Baixas de Lisboa e Porto podem desaparecer," segundo a Quercus "a confirmar-se a subida dos níveis do mar de quatro a seis metros nos próximos 33 anos, provocada pelas mudanças climáticas, estas duas zonas".
Entretanto, em tempo de reflexão (em torno do G8) sobre soluções e alternativas para minimizar os efeitos das alterações climáticas no planeta, público uma imagem que me chegou por mail, resultado de estudos efectuados por super-computadores, com análises das consequências do aquecimento global para o nosso país, e que merece reflexão e tomadas de decisão urgente. Seria bem mais interessante discutirmos e decidirmos sobre alternativas que contribuam para a sustentabilidade do nosso país de acordo com estas previsões (à parte as versões serem mais optimistas ou pessimistas), em vez de discutir a localização do novo aeroporto da Ota... é que pode não existir Ota para aterrar!

23 de maio de 2007

II ENCONTRO DE ALTERNATIVAS 2007

O II Encontro de Alternativas 2907, decorre mais uma vez na vila de Sintra. Este encontro, partiu da iniciativa de um grupo de pessoas que, através de diversas artes e sabedorias, vivem e praticam uma forma alternativa de vida e que por sua vez partilham
o seu sentir e saber com a comunidade, dando assim o seu contributo para o desenvolvimento humano.
Esta segunda edição conta com inúmeros espectáculos de música e teatro, animação teatral e circense permanente, palestras variadas, massagens e workshops que abrangem todas as áreas.
Existirá uma área onde estarão dispostas as Associações Culturais e de Desenvolvimento Humano, bem como artesanato e venda de produtos biológicos de todos os tipos.
A cozinha vegetariana estará permanentemente ao dispor do público com uma deliciosa e apelativa ementa.
Todos os preços praticados serão pelo mínimo possível, afim de ser viável a todos o usufruto do que pretendemos oferecer.

II Encontro de Alternativas em Sintra
de 25 a 27 Maio, 2007

Jardim da Biblioteca Municipal de Sintra,
Casa Mantero
(perto da estação da CP de Sintra)
Sexta-Feira: 15 às 24h
Sábado: 10h às 24h
Domingo: 10h às 23h

Mais informação em:
http://encontroalternativas.blogspot.com/
www.encontroalternativas.com.sapo.pt

18 de abril de 2007

Mariscal solidário

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O catalão Javier Mariscal, que muitos conhecem como o autor da mascote dos Jogos Olímpicos de Barcelona, e do qual relembro uma inesquécivel conferência, em Lisboa, no âmbito da Experimenta Design (a primeira!!!), põe agora o seu talento e criatividade ao serviço de mais uma solidária organização - a Amnistia Internacional.
Este é um exemplo de solidariedade, que nos inspira e encoraja a colocarmos também a nossa "arte" ao serviço de causas, que possam contribuir para felicidade de muitos seres em sofrimento.

9 de fevereiro de 2007