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1 de agosto de 2008

Um Festival de Abraços!

"O Festival dos Abrazos chega este mes de agosto de 2008 a Compostela coa intención de encher os espazos da cidade de música, de danza, de teatro, de cinema, de artes plásticas, de novo circo, de clown… e de ti! As rúas e prazas de Compostela, os seus parques e xardíns, serán o escenario perfecto para o diálogo entre a vangarda creativa da cidade e algunhas das máis singulares propostas culturais do mundo."

in, http://www.festivaldosabrazos.org


Já aqui escrevi sobre um movimento que se iniciou á cerca de quatro anos na Austrália e que percorreu mundo - o movimento dos 'Abraços Grátis'. Nessa altura, muito me emocionou e tocou particularmente esse gesto simples. Agora nasce em Santiago em Santiago de Compostela um Festival multicutural, com um programa variado, que acontecerá durante todo o mês de Agosto e que encherá as ruas desta cidade peregrina de sentimentos e emoções.
Ontem, na apresentação do programa, a secretária de Cultura do Município de Santiago, junto com o projecto "Pés de Lã", 'regalou-nos' com esse gesto, tão belo e tão ancestral como é um abraço. Voltarei ao tema, assim que possível, quem sabe para vos enviar aquele abraço especial do coração.

27 de julho de 2008

16 de junho de 2008

Roteiro de criadores em Santiago



Terminou este domingo 15, a segunda edição do "Rotero de creación" em Santiago de Compostela. Um projecto independente, ainda que contando com alguns apoios institucionais, dos vários organismos públicos galegos, e que marcou durante uma semana o panorama da criatividade em Santiago. Um projecto que merece ser apoiado e desenvolvido, porque contribui sem dúvida para criar uma dinâmica cultural alternativa, capaz de movimentar as "gentes" que por aqui vivem, e caminham, por entre o que se faz no universo da arte, da cultura, da criação.


Recordou-me um evento semelhante, que ocorreu nos anos 90, em Lisboa, de noite, em que se podia fazer um roteiro por vários ateliers, e casas de artistas, centros de exposições, ou simples espaços de criação.
Este "Rotero de creación" contou com a participação dos visistantes, em várias iniciativas interactivas, que convidavam a participação na obra do artista. Esse foi sem dúvida um dos aspectos mais interessantes de alguns dos projectos que participaram neste evento. Esta postura de manter a obra aberta, para se construa com os espectadores que passam a actores, abriu uma outra dimensão participativa, enriquecedora, tanto do ponto de vista do conteúdo, como da própria mensagem/linguagem.


Com o evento deste ano, nasce também uma nova associação, que irá gerir o evento do ano seguinte, assim como de outras actividades dentro desta área. Um projecto que merece todo o apoio e divulgação. Para que Santiago possa crescer culturalmente, que seja uma cidade aberta ao mundo, com uma dinâmica multicultural, e geradora de um movimento de criatividade.

21 de maio de 2008

Isaque Pinheiro em Santiago II



Já aqui divulguei informação sobre a exposição do artista plástico/visual (como assina no seu cartão pessoal) Isaque Pinheiro, um português que está marcando o mundo da arte internacional, com exposições em Espanha, Brasil, Holanda e noutros 'corrunchos' do mundo. Mais que tudo, não quero fazer aqui uma resenha de crítica artística, pois creio que outros, melhor do que eu saberão fazê-lo. Para mim o Isaque será sempre, um 'velho' colega de escola, um amigo de longa data e que nunca esqueço! O Isaque que eu conheci, e que tive a felicidade de reencontrar em vários momentos da minha caminhada, é um ser humano com uma visão peculiar do mundo, e que a espelha na sua obra. Uma visão desintelectualizada da arte, mas que tem coisas importantes para dizer ao mundo. Uma visão ainda e sempre, com a força da sua eterna juventude. Uma atitude, perante as coisas da vida, lideradas pela curiosidade e por um sentido de humor muito aguçado.
Foi bom reencontrar o Isaque aqui em Santiago. Pois veio relembrar-me uma frase que percorria os corredores da minha velha Faculdade de Belas Artes, que dizia - a arte não nos salva. Pois eu creio que o Isaque está com a sua arte, de alguma forma, sem que isso seja intencional no seu trabalho, a dar o seu contributo para a nossa salvação. A salvação da nossa eterna criança interior, que é ainda capaz de se surpreender e deixar comover pela linguagem da arte. Essa linguagem universal, que comunica directamente com os nossos corações e a nossa consciência.
Obrigado Isaque por caminhares por aqui.

Esposição de Isaque Pinheiro, na galeria Goran Govorcin, em Santiago de Compostela, até ao dia 5 de Junho.

14 de maio de 2008

Por uma nova economia ética - parte II

Sigo com a publicação das notas da conferência, em Santiago de Compostela, de Antoni Melé Cartaña, Director da sucursal de Barcelona do banco ético - Triodos Bank.

No plano Social nunca como hoje se teve tanta consciência social no mundo. Existem milhões de pessoas, voluntárias, trabalhadores sociais, activistas, que em várias áreas e que se mobilizam através de várias formas de participação e organização (associações, fundações, ONG's, projectos humanitárias, ambientalistas, de paz, etc), que dedicam o seu tempo, o seu talento ás causas sociais. Contribuem decisivamente para mudar o Mundo para um Mundo Melhor (ref. Livro: "Como Mudar o Mundo").
No entanto, nunca o mundo conheceu tantas guerras como hoje. Relembremos que apesar do movimento mundial pela paz, que movimentou milhões de pessoas em todo o mundo, nas principais capitais de vários paises, contra a guerra no Iraque; em 2003 (com a hoje conhecida mentira das armas químicas/destruição massiva), os EUA e os seus aliados invadiram o Iraque.
Vale a pena perguntar, com tantas manifestações, com tanta pressão pública, o que faltou para evitar a Guerra?
Hoje continuam a existir guerras, algumas ainda mais cruéis que a do Iraque. Em África, por exemplo no Sudão, já terão morrido mais pessoas que no Iraque e no entanto... é uma contradição!
As contradições são importantes para nos fazer despertar. Então mais uma vez a questão é - O que podemos fazer, que ainda não foi feito, para mudar esta situação?
Vejamos o Económico. Nunca no mundo houve tanto dinheiro a circular. Nunca houve tanta riqueza como hoje em dia. No entanto... nunca houve tanta pobreza no mundo como hoje! A pobreza é um problema de tal dimensão que levou a ONU a convocar o encontro do Milénio, ponde ficaram definidos os Objectivos do Milénio (2000 - 2015). Onde estamos em 2007? Quantos desses objectivos foram alcançados, na primeira metade do plano? Muito pouco! O que levou o novo secretário-geral da ONU a convocar nova reunião (e muitas outras se tem sucedido) para incentivar os países que se comprometeram unanimemente, a por em prática esses Objectivos. Não se fez nada? Sim! Basicamente caridadade. A realidade conta que as massas de pobreza são maiores e continuam a crescer. Três mil milhões de pessoas vivem na pobreza absoluta, e um mil milhões estão abaixo do limiar da pobreza absoluta. Então e perante esta situação o que fazemos? O que estamos fazendo mal? Que parte de responsabilidade temos nesta situação? O que podemos fazer para mudar a situação? Qual é ou quais sãos as causas desta situação? As causas podem resumir-se a duas:
A primeira que está relacionada com a segunda; o modelo socio-económico actual, que não funciona e continua a gerar pobreza, atraso social, guerras, destruição do planeta. Com este modelo chegámos ao cúmulo de perder a noção do que é um Ser Humano.
Isto está promeira questão, está ligada á segunda causa, que é a Educação. Que valores nos inocularam? Que o Ser Humano é basicamente um animal (Teoria da Evolução). Sobrevivem os mais fortes. Ou seja vivemos todos numa selva modernizada, a que chamamos Sociedade. Os valores do Mercado Livre, que se baseia nas "leis" da oferta e na procura. Mas que "leis" são essas? Que leis inexoráveis são essas? Leis enexoráveis só podemos reconhecer na Natureza! Valores inexoráveis, só podemos reconhecer a Liberdade e a Consciência. O tempo (metoreológico) que faz hoje, se chove ou faz sol, é inexorável. Já a queda das acções na Bolsa não o é. Se observarmos como são dadas as notícias de um e outro tema: são dadas da mesma forma! Como a Bolsa fosse regida pelas tais leis inexoráveis! Não o é!
Importa que relembrar que o que destingue o Ser Humano dos demais é a dignidade. Então haverá outra forma de funcionar? Sim!
Por exemplo, o que nos leva a concluir que o modelo competitivo actual regido pelas "leis" da oferta e da procura não vai de encontro á nossa juventude? Porque será que tanta gente jovem se droga? Porque está a aumentar a violência juvenil nas escolas e nas ruas? Porque é um reflexo da sua impotência perante este modelo socio-económico que não agrada aos jovens! O modelo da luta competitiva não agrada aos jovens. Este modelo está a trazer cada vez mais sofrimento aos nossos filhos. Porque este modelo está baseado no egoismo que foi a base de todo a história da Economia desde a sua fundação no séc. XIX.
Então que alternativa temos a este modelo económico? Uma economia ética e solidária! A primeira questão que nos temos que colocar é: a mim, o que me gostaria de fazer nesta vida? Buscar um sentido ético para essa vida, é ter a consciência que no mundo para além de mim, existem outros humanos e o planeta. Ter consciência que as minhas acções têm repercursão no planeta terra.
O como é que podemos contribuir para uma alternativa com o nosso dinheiro? Recordemos que o dinheiro nasceu como meio de troca. Numa relação existe sempre um intercambio, e o valor é aquilo que necessitas.
Então que possibilidades dá o dinheiro ao mundo? Trocar o meu trabalho em qualquer parte do mundo por aquilo que necessito (bens e/ou serviços). Foi o que o dinheiro permitiu ao longo da história - o intercambio entre pessoas. Os templários foram dos primeiros a emitir cheques!
O que se passa hoje com o dinheiro? 98% é electrónico! O que ampliou ainda mais a possibilidade de intercâmbio entre as pessoas. O principio é bom, mas o seu uso é mau. Como possiblididade é bom, mas as consequências do seu uso estão á vista. Porque perdemos a consciência dessa relação de troca com outras pessoas.
O dinheiro pode ser usado de três formas básicas: compra, poupança e doação. Normalmente em qualquer destes três usos básicos (possíveis) não somos conscientes do seu uso. É aqui que podemos realmente contribuir para uma mudança radical - através da consciência do dinheiro, de como o usamos, de como o poupamos e de como o doamos.
As três questões básicas que podemos colocar quanto ao uso da compra são: Porque compro? O que compro? Onde compro? Por isso surgir o movimento do Comércio Justo.
Porque quando compro é importante ter a consciência se realmente preciso do que estou a comprar. Porque é importante a consciência do que estou a comprar, se é um producto originário de uma fábrica que explora crianças na China ou na India, ou se é produzido com porcessos químicos que estão a contribuir (ainda mais) para a destruição do planeta, e para as alterações climáticas.
Quanto á poupança. Quando poupamos estamos conscientes do que poupamos? Porque poupamos? Para quê? Poupamos basicamente por medo do futuro! Exemplo disso, a frase que ouvimos e repetimos aos nosso filhos - tens que estudar porque amanhã não sabes se não perderás um bom emprego que precisa de gente com estudos!... - isto é a educação baseada no medo que nos ensinaram os nossos pais e que estamos a ensinar aos nossos filhos!
Os bancos apareceram por isso mesmo - pelo medo! Para poderem tranquilizar as pessoas quanto a esse medo - o medo do futuro.
Um banco (de forma muito simplificada) tem um funcionamento muito básico - recebe as as poupanças do poupador, e financia com esse dinheiro os empreendedores/empresários que precisam do dinheiro para por as suas ideias em marcha. A função básica do banco neste triângulo é a de garantir liquidez. Gerindo os interesses, que a parte de juro/percentagem de riqueza gerada pelo empresário depois de pedir o seu empréstimo. Aqui volta a questão da consciência. Como poupamos, onde poupamos? Que fundos de investimento apoiamos? Já alguém se questionou onde põe o seu dinheiro? Que interesses são gerados com as suas poupanças? Pois é preciso estão consciente que hoje, os negócios que mais dinheiro movimentam no mundo são a guerra, a droga e o sexo! Então será importante ter a consciência de analisar onde poupamos o nosso dinheiro, analisar os nosso fundos de investimento. Olhar para a lista de empresas que compõe esses fundos!
"O nosso dinheiro é a nossa força para mudar o mundo!" Usar o dinheiro com responsabilidade e consciência está nas nossas mãos!
Aqui podemos questionarmos - existem alternativas? Sim! A banca ética. Aqui consideremos a terceira forma dse uso do dinheiro - a doação. Quando doamos não somos conscientes. Doar é dar o nosso dinheiro a outro para que o outro faça coisas. Sabemos que coisas vai fazer o outro? Quando doamos é importante sabermos e exigirmos saber onde se gasta o nosso dinheiro! Até os nossos impostos são uma forma de doação. Deveriamos exigir saber para onde vão e como são gastos (se em educação, protecção ambiental ou em armamento, apoio a industrias poluentes...).
Para ser livre é preciso ser consciente. Por isso é importante fazer doações conscientes. (existe mesmo um movimento sobre o Testamento Consciente). Então concluindo, se o mundo está mal é porque a Banca (baseada no tal modelo sócio-económico) está mal. Mais de 98% do dinheiro que se move no mundo é especulação! Para entender a Economia haveria que olhar para exemplos vivos - como o Ser Humano. Olhar para o sangue, para o coração... o coração é um orgão consciente. Não existe célula no corpo onde não chegue o sangue. Assim deveria ser a economia. O sangue/dinheiro deveria chegar a todo o tecido social!
A banca ética como alternativa, procura desalojar o medo do subconciente humano. A banca ética, continua a ter a viabilidade e o beneficío económico como os demais bancos, mas com a ética de redistribuir perante o humano e o ambiental.
Assim nasceu o projecto Triodos Bank, que tem origem na palavra grega e que significa triplo caminho. Um caminho de apoio á cultura, ao ambiente e em particular ás energias renováveis, e como terceiro eixo o apoio a projectos sociais.
Esta a forma como acreditamos que com consciência podemos o usar o poder que o nosso dinheiro nos dá para transformar o mundo num mundo melhor.

5 de maio de 2008

Isaque Pinheiro em Santiago



Isaque Pinheiro
, um (pequeno/grande) artista plástico português. Um colega de escola, um amigo de longa data e que nunca se esqueçe! A visitar na galeria Goran Govorcin, em Santiago de Compostela, até ao dia 5 de Junho.
(escreverei sobre este amigo, mais do que sobre o artista ou esta exposição)

9 de março de 2008

María de Medeiros en Pontevedra

"Con voz propia la portuguesa realizará su particular homenaje a los creadores de la bossa nova"

La Voz de Galicia, 6.03.2008


©CLAUDIO ONORATI, La Voz de Galicia

Pois é a nossa Maria andou por terras Galegas, e segundo os nossos irmãos galegos surpreendeu! Só tenho pena de não ter podido presenciar esse concerto... que Maria tenha muito sucesso e que volte sempre.

Ecoaldeias na Galiza

"Unha nova filosofía que recupera vilas abandonadas con actividade agrogandeira ecolóxica axuda a frear o despoboamento do campo. As experiencias de Tanquián, Xestas e Chozas, son tres bos exemplos de que outro estilo de vida é posible."

Galicia Hoxe, 9 Marzo 2008

28 de setembro de 2007

¿Generación en cuestión?

"Cuestión generacional es una exposición de alrededor de 30 piezas y de una docena de vídeos procedentes de esta colección, tanto de artistas nacionales como extranjeros nacidos en su mayoría en la década de los 60. Son fotografías, óleos y esculturas en las que se puede apreciar un componente temporal, tanto por los temas como por la manera en la que están tratados."

Visitei ontem no "Centro Galego de Arte Contemporánea", um magnífico projecto do arquitecto Siza Vieira, a exposição da colecção do CGAC, "Cuestión Xeracional". (1)
Para lá questões formais, ou de análise em termos de crítica de arte, queria mais do que tudo partilhar as 'sensações' e percepções com fiquei desta exposição. No seu conjunto a exposição, revela-se coerente, e com uma montagem muito bem cuidada e organizada. O que me perturbou, no meio de tudo, foi um sentimento de angústia por me ser complexo empatizar com as expressões ali expostas. Sinais de profunda perturbação, convulsão do nossos tempos, linguagens que apelam a uma montagem do que aparenta ser real, ampliadas quiçá pelos meios utilizados (vídeo, fotografia) tão próprios desta geração. Confesso que me dei pouco trabalho a ler sobre as obras e os seus autores. Deixo isso para quem procura ali esse tipo de informação.
Tendo feito o meu percurso nas artes plásticas, e recorrendo muitas das vezes, nos meus projectos às mesmas estragégias que estes artistas utilizam para reflectir sobre o mundo actual, não consigo de deixar de sentir um certo distanciamento estético de tudo o que vi. Como se sentisse um vazio incómodo provocado por estas imagens. Aqui volta de novo, sempre a 'velha' questão: para que serve a arte? Qual é o seu papel? A questão geracional é importante ao nível das linguagens? A mensagem é um objectivo da arte, ou isso é um campo reservado à comunicação? A arte serve para nos provocar 'boas' ou 'más' sensações? A arte ainda nos pode salvar?
A sensação com que sai da exposição, é de que esta geração, não soube ainda transportar para a arte, novos caminhos de consciência. Continua sendo um reportório interessante de linguagens plásticas, mas deixa um enorme vazio, angustiante, de reflexão oca sobre outros campos, que a mim me fazem falta: do Ser e do sentir.
Não deixo de aconselhar a visita. Pela arquitectura, pela qualidade do
CGAC, e por algumas peças excepção que valem a pena visitar.

(1) Nome em Galego