1 de maio de 2006

Design para um mundo sustentável

A história mundial está repleta de exemplos de sociedades que perduraram por milhares de anos vivendo segundo um modelo de vida sustentável. No entanto a humanidade também tem prosseguido por caminhos que têm levado a práticas ecologicamente insustentáveis.
Assim, desse modelo de sociedades humanas, vivendo em comunidade, com estruturas sustentáveis e ambientalmente viáveis, chegaram aos dias de hoje apenas algumas delas. Nas últimas décadas são conhecidas inúmeras Comunidades Indígenas destruidas ou que têm visto as suas culturas e modos de vida ameaçados.

VIDAVERDE
©Alexandre Pereira. Encontro Vida Verde 2005

Para que a humanidade possa prosseguir na sua caminhada evolutiva e com o seu desenvolvimento, é imperativo que seja renovado o seu compromisso para com o planeta, vivendo como parte deste e entendendo o desenvolvimento e o crescimento como processos que podem (e devem) ser sustentáveis, sem o recurso à exploração dos recursos naturais, como a água, os minerais (o petróleo é só o aspecto mais visível) levados a níveis impraticáveis.

Flower-bulb-DROOGCAMPANAS_FAVELA
'Bolle box', Andreas Möller (esq.); Favela, Humberto
e Fernando Campanas
(dir.)

Fundamental para que isso aconteça é a educação e a sensibilização, caminhando do paradigma da separatividade, para outra abordagem; não só na teoria mas também na prática - o paradigma holístico - que coloque de novo o homem na (sua) natureza; uma educação que redefina o papel da tecnologia em relação ao ambiente, que reconheça a interdependência entre o todo e a parte. Este caminho percorre-se com uma visão orientada para um desenvolvimento sustentável, a nível local e regional, com ressonância a nível global, no mundo e no universo. Hoje mais do que nunca a humanidade tem o conhecimento, a sabedoria, a começa a ter a expriência trazida, entre outros, pelo movimento das ecovilas, que lhe permite pôr em acção esta visão.

Como Ser Sustentável?
Os Princípios de Hannover (Expo Hannover 2000), são no meu entender, de entre os muitos documentos publicados sobre sustentabilidade, um dos que lançaram as sementes para uma nova filosofia de design, integrando natureza, humanidade e tecnologia. Estes, inspiram uma abordagem ao design que vai de encontro das reais necessidades e aspirações do presente sem comprometer a possibilidade de o planeta ser sustentável e igualmente capaz de suportar o futuro (por mais sete gerações).
O conceito de sustentabilidade foi introduzido para combinar a atenção com o bem-estar do planeta Terra com o continuo crescimento do desenvolvimento humano. Esta visão inicial, estaria imcompleta, sem intergrarmos outras visões. O meu contributo parte, de uma perspectiva holística.
Na verdade os sistemas na natureza já são capazes de se tornar sustentáveis (á milhões de anos que é assim). Segundo a definição da Comissão Mundial de Ambiente e Desenvolvimento
“encontrar a satisfação das necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das futuras gerações de satisfazerem as suas próprias necessidades.” No entanto, esta é uma definição ainda limitada por um ponto de vista humano. A abordagem holística, procura incluir a ideia de uma ecologia global, o que significa que quando falamos de satisfação das necessidades presentes e das gerações futuras, estamos a considerar todos os aspectos e elementos da natureza - humano, animal, vegetal, energético - que vivem uma relação de interdependência.

De que design falamos?
Poderia encontar milhares de referências a sobre design, para falar de várias aboradagens, definições, teorias, correntes de pensamento, para me aproximar de uma 'explicação' possível de design. Mas esse não é o propósito deste tema. O que se procura aqui é encontrar uma 'definição' que seja inclusiva de várias perspectivas, procurando através de uma visão transdisciplinar, encontrar uma outra direcção, um outro caminho, que nos oriente para a evolução para um outro plano de realidade.
Assim, com este enquadramento prévio, direi que o design implica a concepção, realização e a satisfação das necessidades e desejos humanos. O design procurou desde que é conhecido como tal, satisfazer essas necessidades humanas, procurando responder da melhor forma, com as soluções mais adequadas, aos problemas colocados. Não será excessivo dizer mesmo, que de alguma forma o design é um caminho de busca de uma certa forma de felicidade.

GELAS_HELDER-MONTEIRO
Guelas, Elder Monteiro

Neste contexto, surgem os 'humanos' que se dedicam ao estudo e a várias especializações nesta área - designers - e que têm procurado desempenhar esse papel, nalguns casos mais pragmático, noutros visionário, procurando resolver e enquadrar esses problemas, criando toda uma nova corrente de pensamento, de cultura de projecto, com ligações aos mais diversos campos do Saber: psicologia, sociologia, filosofia, estética, arte, comunicação, ciência, religião, etc. Segundo Buckminster Fuller, "o designer é uma síntese de artista, inventor, mecânico, economista objectivo e estratega evolucionista". Esta é uma abordagem visionária, precursora de uma visão holista, que abriu caminho para as gerações futuras, no presente, seguirem os seus passos.
Assim sendo, poderei dizer com toda a tranquilidade, que, 'designers' são todos aqueles que de alguma forma, pela sua acção, modificam o ambiente através da inspiração e da criatividade humanas em relação com a natureza.

Por um design sustentável
Tendo por base estas duas abordagens, muito simples, da sustentabilidade e do design, podemos então, entender de forma mais clara o que pode ser designado por design sustentável. Este está necessariamente orientado para a atenção (awareness) a curto, médio e longo prazo. Coloca o enfoque dessa atenção, não apenas nos resultados, mas também nas consequências de qualquer transformação que se opere no meio ambiente. O design sustentável envolve aspectos como a concepção e a realização de uma expressão humana responsável e ambientalmente sensível, como parte envolvida na matriz da natureza do universo.
As sociedades humanas necessitam de aspirar a uma integração dos elementos material com o ambiental e o espiritual. As tecnologias actuais, assim como os processos e significados tendem a separar estes aspectos, em vez de os integrarem. A natureza usa a energia solar para criar sistemas interdependentes, cuja complexidade e diversidade implicam que sejam sustentáveis.
Por contraste, as sociedades altamente industrializadas extraem energia directamente dos sistemas, o que contribui para a redução dessa mesma complexidade, essencial para a biodiversidade, e para a sustentabilidade do planeta, logo da própria humanidade.

construção-Martintamera
Construção em tela, corda e pedras. Workshop por Martin da Comunidade de Tamera, no Encontro Vida Verde (esq.). Construção usando diferentes técnicas, terra, palha e madeira na ecovila de Tamera (dir.)

Um dos grandes desafios para a humanidade é o desenvolvimento de processos de design que nos permitam, mantermos conectados com o contexto da natureza. Praticamente todas as fases do design, dos processos de fabrico, à construção devem ser reequacionados. O sistema de pensamento assente no paradigma da separatividade, os sistemas de pensamento linear ou os programas de curto-prazo, que justificam a ignorância, a indiferença ou a arrogância não serão, ainda assim, suficentes para destruir o futuro de uma interacção harmoniosa entre o humano e a natureza.
Teremos para isso que empregar o todo o conhecimento actual, em parceira com a sabedoria ancestral, a experiência e vivência humanas, num movimento que resulte num esforço conjunto para conceber e realizar uma transformação de consciência humana, que cuide e mantenha
o planeta Terra.
O espírito dos Princípios de Hannover, foram resultado de vários contributos,das mais variadas comunidades científica, e espiritual, das áreas do design ao ambiente passando pela filosofia. Espera-se que possam evoluir e adaptar-se às preocupações levantadas pelas diferentes culturas, países e todos os Seres sensíveis do planeta Terra, para que assim possamos todos encontrar o caminho que assegure a construção de um futuro em que não esteja comprometida a sobrevivência do planeta Terra.
Que todos façamos o nosso papel, sendo para isso, é preciso imaginar e encorajar a construção no presente de um futuro sustentável.

*Texto de apoio à Oficina/workshop sobre Design Sustentável
Encontro Vida Verde, Odemira, 28 Agosto 2005


25 de abril de 2006

Semear Criatividade, da visão à acção

coração

Este é um projecto de vida. Este projecto de vida, nasce de uma visão holística. Essa visão corresponde a uma missão. O resultado do entendimento dessa missão resulta na acção deste projecto.
Este poderá ser o projecto que a Vida desenhou para a minha missão aqui na Terra, e daí decorrem muitas das acções que tenho realizado. Um caminho a partir do Ser, seguido do Fazer e depois do Ter.

Visão
Entendo a comunicação como um processo no qual plantamos ideias e conceitos num terreno comum.
O meu desejo mais profundo é 'estar na lua', fazendo design de coisas 'belas',
que possam ser úteis ao planeta Terra.
Quando escolho uma aborgadem transdisciplinar na forma de criar, isso ajuda-me a desenvolver o design de soluções mais sustentáveis.

Missão
Contribuir com todo o meu talento, conhecimento e sabedoria para as causas da felicidade da humanidade e de todos os outros seres sensíveis.
Assim como, contribuir com todo o meu talento, conhecimento e sabedoria, actuando para que se eliminem as causas do sofrimento da humanidade e de todos os outros seres sensíveis.

Acção
ecologia individual: atenção aos sentimentos, emoções, pensamentos, e intuições.
Escuta do outro, com o coração e a mente, com compaixão e justiça.
ecologia social: profissionalmente activo no sector criativo da comunicação, do design e da cultura. Activista nas áreas social, ambiental, da paz, nas ecovilas e organizações ou a associações ligadas à cultura de projecto.
ecologia universal: contribuir para o desenvolvimento de uma consciência universal, através de uma holopraxis que participe na preservação do equilibrio e harmonia do Universo.

26 de março de 2006

"Bairro do Paraiso"

Ao fim de trinta e seis anos decidi escrever sobre o lugar onde habito. É verdade, actualmente estou vivendo no bairro onde cresci na minha infância, onde passei a minha adolescência e parte da minha juventude. Talvez tenha agora sido desperto para o que está por detrás do signo, daquilo que se esconde por de trás das palavras.
Este é um bairro como tantos outros bairros suburbanos, a pouco mais de 20Km de Lisboa, e intregrado num dos mais conhecidos concelhos do Ribatejo, com a sua sede em Vila Franca de Xira. Actualmente estou lendo um livro de Krisnamurti sobre o desenvolvimento da sensiblidade. Essa leitura terá despertado a minha sensiblidade, não para o(s) simbolo da(s) palavra(s) - Bairro do Paraiso, mas para o que está num plano mais 'intangível'. Como diz Krisnamurti, as palavras são o que são, devemos relativizá-las e procurar na sua essência o verdadeiro significado para cada um de nós, dando-lhe sentido, na nossa mente, no nosso coração e no nosso corpo.
Enquanto tomo o meu café da manhã na (única) pastelaria do bairro, observo os homens lá fora, atarefados com as obras que revolvem as entranhas da única praçeta do bairro. Por todas as ruas se amontam pedras, terra, lama, pedaços de passeio, que agora será 'renovado'. Sinto uma enorme contradição entre o que vejo, experiêncio e observo a desconexão profunda, entre o que se está passando com as obras a decorrer no bairro (faz já algumas semanas). Homens e máquinas por todo o lado lançam o caos, e as pessoas mostram a sua insatisfação disfarçada por um certo conformismo, como se fosse natural entrarem uns "buldozers" pelas suas vidas dentro e começassem sem aviso a desmontar as ruas do seus bairro. Aqui e ali, nas conversas de café vão saindo frases tímidas de desconforto, aqui e ali ouço uma ou outra crítica velada, por entre comentários mais ou menos "informados" sobre o que é, e como "devia de ser".
Procuro dentro de mim a calma para ir ao fundo da questão e trazer alguma reflexão sobre o simbolo (a palavra - paraiso) é o significado, mas mais ainda do que isso, o para quê de tudo isto. Sinto que o simbolo, a palavra correcta para descrever esta "convulsão" que está ali na nossa frente é o 'inferno'. Ainda assim é desajustado. Obras são obras, e seguem um fim que em si que é válido e justo - melhorar a qualidade urbanística do bairro. Não consigo no entanto deixar de querer reflectir mais fundo, ir mais longe do que aquilo que me é revelado à "superfície".
Neste "episódio" que é comum a tantos outros, em tantos outros bairros, vilas e cidades deste país (que é o que conheço, por isso me coloco dentro deste contexto) o que encontro de comum é a falta de comunicação e de envolvimento da população. Uma desconexão profunda do que está a passar à sua volta: do porquê e para quê, quanto custa, para que serve, como beneficia as nossas vidas. Eu irei mesmo mais longe. Quem são os homens que aqui estão construindo as nossas ruas, os nossos passeios, que empresa realiza esta tarefa, como planeia o seu trabalho. Mais longe irei, se disser que faria sentido que houvesse uma assembleia com a população para lhes transmitir tudo isso, e pedir a sua opinião e a sua participação e colaboração.
Na medida que qualquer transformação no contexto, afecta directa e indirectamente a vida das pessoas, diria que seria de bom senso fazê-lo. Mais do isso, indo mais fundo, mexer na terra, mexer na configuração das suas memórias visuais, tácteis, sociais, é sempre uma transformação que se espelha também dentro de cada um de nós. Como podemos viver de forma integral, se aqueles que governam decidem, sem o envolvimento dos governados?
Este modelo desligado do outro, desligado do social, desligado das pessoas, desligado do todo, tem governado as nossas vidas nos anos que aqui tenho vivido. Este modelo, não é definivamente o 'paraíso'. Isso já todos o sabemos de forma mais ou menos consciente. Aqueles que não se resolveram por dentro, aqueles em que os conflitos intrapessoais são mais visiveís e presentes, manifestam-se na sua revolta (umas vezes exteriorizando verbalmente, outras interiorizando e somatizando na mente, no corpo, no coração). Noutros, a vontade de mudar o mundo, leva-os a posições mais revolucionárias, aquelas que reivindicam por outras soluções, que querem fazer diferente, que exigem outras soluções. A carga do conflito continua lá. A carga da revolta ainda está presente. Até porque esses revolucionários, tiveram aqui nesta terra, neste bairro, neste concelho, nesta região a sua oportunidade de mostrar alternativas de como fazer diferente. No essencial não foram capaz de o fazer, não porque não desejassem, mas porque a verdadeira revolução na consciência não estava feita. e Tudo o resto á sua volta não mudou para melhor.
Hoje, identifico-me com aqueles que desejam uma mudança 'radical' nas consciências, que nos possam trazer o 'paraíso' á terra, sou daqueles que conspira para exista um maior respeito pelo humano, assim como pela natureza, que possa constribuir para modos de vida alternativos numa comunidade solidária, e sustentável, vivendo em harmonia com o ambiente. Conspiro que essa mudança se faça, se vá fazendo, dentro de mim próprio, onde 'luto' todos os dias para conquistar o 'poder' de escolher, de sentir, de pensar, de Ser consciente e pleno nas escolhas que faço em cada dia em Vida se manifesta em mim. Este é um discurso que conspira não contra nada nem ninguém, mas acima de tudo, para tornar a cada instante o nosso "bairro" um 'paraíso' aqui e agora, que constribuir para acabar com as causas do sofrimento de todos os seres sensíveis (não apenas os humanos) e que dê a sua gota de água para contribuir para a felicidade desses mesmos seres sensíveis. Aqui e agora, se assim fosse, então o bairro faria juz ao seu nome.

22 de março de 2006

Amazónia de "todos" nós...

Recebi este mail da minha "rede", que não resisto a publicar na íntegra.
Este é um discurso do Ministro Brasileiro de Educação numa deslocação aos EUA. Compartilho com a amiga que mo enviou, que merece ser lido, e divulgado.
De facto, não é todos os dias que um Brasileiro dá uma lição de diplolmacia aos "educadíssimos" Americanos...
Este discurso foi proferido durante um debate numa universidade nos Estados Unidos, pelo actual Ministro da Educação Cristovam Buarque, na altura questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazónia (ideia que surge com alguma insistência nalguns sectores da sociedade americana e que muito incomoda os brasileiros).Um jovem americano fez a pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um Brasileiro. Esta foi a resposta do Sr.Cristovam Buarque:

"De facto, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazónia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse património, ele é nosso.
Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazónia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.
Se a Amazónia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro... O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazónia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extracção de petróleo e subir ou não o seu preço.
Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser Internacionalizado. Se a Amazónia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazónia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.
Antes mesmo da Amazónia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo génio humano. Não se pode deixar esse património cultural, como o património natural Amazónico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país.
Não faz muito tempo, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.
Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milénio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade,com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.
Se os EUA querem internacionalizar a Amazónia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos também todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
Nos seus debates, os actuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de comer e de ir à escola.
Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como património que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazónia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um património da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver.
Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas,enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazónia seja nossa. Só nossa! "

Como humanista, eu te aplaudo meu "irmão" Buarque!


21 de março de 2006

Gaia Education

GAIA_EDU_RGB
Faz tempo que quero publicar sobre um dos "meus" mais recentes projectos de comunicação. Tudo tem um tempo certo para se "manifestar" nas nossas vidas, sendo esta uma ocasião tão boa como outra qualquer; ou talvez não. Poderei assim "associar" esta partilha, à celebração da Primavera, e colocar assim, na "Terra", a minha gota de água.
Em Setembro de 2005, começa a desenhar-se o "voo" para o lançamento deste projecto, onde tive a enorme alegria de ser responsável pelo design da marca e da comunicação para o programa do Gaia Education. Através de uma ligação sincronística com May East, uma grande sábia, e directora do programa, foi-se desenvolvendo um projecto que foi apresentado em Findhorn em Outubro de 2005.
GAIA_EDU_CAPA2
O que publico hoje são apenas algumas das suas "manifestações" visiveís. Para quem estiver interessado, em saber mais sobre este programa, em que consiste, e como pode ficar mais informado, aconselho a visita ao site.
Voando Junto!
GAIA_EDU_ID

Celebrar com o ciclo da mãe Terra

As palavras ficam-me presas no fundo do Ser, quando quero escrever sobre o dia de hoje. Não só porque faz algum tempo que o meu silêncio se "manifesta" aqui, mas também porque quero conectar-me verdadeiramente com a Natureza, para poder agradecer com o coração e dizer á mãe Terra o quanto estou grato pela dádiva da Vida.
Procuro palavras simples, que estejam em sintonia com o sentir, com o fluxo natural que esse "milagre" da Vida nos traz todos os dias. Dentro do cimento da cidade, poluido pelo cinzento dos prédios, procuro dentro da minha natureza a seiva que nutra as raizes do sentir.
Procuro as palavras certas, quando sei que as palavras estão gastas, e que são as acções que podem marcar a diferença. No que pomos em cada gesto, na intenção com que colocamos e lançamos em cada dia novas sementes de amor na terra fértil da consciência.
Procuro conectar-me com todos aqueles que estão neste momento pondo as mãos na terra, cuidando e acarinhando o planeta, para a sua preservação e sustentabilidade. Em comunhão com a natureza, partilho hoje com todos os companheiros de caminho, as boas vindas à Primavera. Façamos a despedida do Inverno, e recebamos este novo ciclo dentro dos nossos corações, abrindo o coração a novas fronteiras de consciência. Amo-te mãe Terra. Obrigado por me acolheres aqui.

23 de janeiro de 2006

O regresso do(s) 'Cara(s) Pálido(as)"

Partilho com os meus concidadãos, a profunda 'tristeza' pelo regresso à política de Cavaco Silva(eleito por 50,6% dos portugueses que decidiram expressar com o seu voto,
a sua escolha para o desempenho das mais altas responbsabilidades do Estado - a Presidência da República); esta profunda tristeza, mas também 'raiva', vem da memória de quem (ainda) não esqueceu todo o sofrimento por que passou durante os anos de governo 'Cavaquista'. Uma memória que recorda este homem como um dos homens que marcou um dos periodos mais negros da sua vida, um dos grandes responsáveis pela actual situação estrututal de atraso, de desiguldade e injustiça social, de pobreza, de destruição ambiental. É também de uma profunda frustação por sentir que fiz muito pouco para contribuir para que este "Cara-Pálida" não voltasse à 'cena' política; este que tem contribuido para um caminho de separação do humano do económico e deste do social e ambiental. Um regresso ao passado, que estarei pronto para 'combater' associando-me com toda a criatividade às alternativas que construam caminhos assententes numa visão humanista, sustentável, holística.

Hoje, mais do que nunca sinto que 'semear criatividade' é vital!

19 de janeiro de 2006

O silêncio dos 'não-inocentes'

"Se o que vais dizer não é mais belo que o silêncio, não digas"

antigo provérbio Sufi

med_04_vattenfall

Quando lançei esta 'semente' à terra, o blog "semear*criatividade", tinha já na altura, a plena consciência da enorme tarefa em que me estava a meter; lançar uma 'semente' como esta é apenas parte de um todo maior que é 'gerar' uma vida.
Alguns dos meus amigos, companheiros de caminho, até mesmo alguns leitores desconhecidos, (mesmo sem o saberem) 'perguntaram-me' pelas 'sementes', como estava indo a 'plantação'. Foram eles que me deram o incentivo, pois apesar de ter deixado de publicar durante alguns meses, nunca deixaram de nutrir, com a sua amizade, carinho e amor incondicional, este projecto em que me lançei em Setembro de 2005.
Acredito que, em parte, é a Vida que nos leva por um determinado caminho (sincronicidade),
e que todas as escolhas estão certas. Escolhi o 'silêncio' porque era esse o nutriente que precisava para manter o projecto de pé. Agora que o 'Inverno' está quase terminando preparo-me para acolher os primeiros 'rebentos', as primeiras pequenas 'plantas' que irão em breve começar a vir ao de cima neste espaço de diálogo, de ideias, de criatividade.
O silêncio dos 'não-inocentes' é aquele em que nos comunicamos para lá das palavras, para lá do Mundo explícito. Nesse lugar onde nos encontramos para comungarmos do signifado maior que o Verbo, esse nada que é Tudo.

1 de outubro de 2005

Voando com os GEESE!

ARPE_DRAW_GANSO
Este é um momento de celebração: por ter terminado um projecto com o coração e a mente em harmonia e felicidade. Porque neste momento celebro um voo criativo até Findhorn, para onde o meu trabalho esteve voando nestas últimas semanas.
Foi graças à sincronicidade, que quando regressava do Encontro Vida Verde, sou convidado por May East, responsável pela área da Educação do GEN - Global Ecovillage Network, para desenvolver um projecto de 'logomarca' para o programa GAIA EDUCATION; que está sendo apresentado este fim de semana em Findhorn, num encontro que decorre a partir de hoje, até dia 8 de Outubro (outra data igualmente importante para mim...lá voltaremos um destes dias).
Quando regressei de Karuna, em Monchique, no Algarve, começei, não sei bem quando a desenhar 'obsessivamente pássaros nos meus vários 'diários gráficos'. Um dia estava desenhando já não recordo se a uma mesa de café, e um amigo que me fazia companhia num café, perguntou-me porque desenhava apenas pássaros, e para que tamanha 'trabalheira'... confesso que quando confrontado com tamanhas reflexões, não encontro melhor resposta que um franzir de sobrolho e um silêncio cúmplice... na minha cabeça passa a ideia de que não é preciso procurar por uma resposta, e que mais tarde ou mais cedo tudo nos é revelado, de onde menos se espera vem a resposta...
Foi quando acabei de chegar do Alentejo, ainda com a 'taça cheia' de amor e fraternidade compartilhada com os companheiros da 'tribo verde', que percebi para 'quê serviram tantos 'rabiscos' de pássaros que nunca vi, a não ser em documentários na televisão ou (infelizmente num jardim zoológico...). O pedido da May, veio trazer a luz à dúvida 'metafísica' do meu amigo de café: o projecto chamado de GAIA EDUCATION, desenvolvido pelo GEESE - Global Ecovillage Educators for a Sustainable Earth. Toda o 'programa' do projecto seria em torno da história dos gansos, da forma como voam e de como se relacionam... ai voltei de novo aos meus 'pássaros' e voando bem alto encontrei o meu ganso, e percebi que também o meu bando.

24 de setembro de 2005

R'encontro da 'Tribo Verde'

Nasceu de um reencontro com a Sofia Duarte, uma das almas do Vida Verde. Foi germinando de mansinho, e depois surgiu de rompante, como um foguete, de um folego de um dia para o outro!
O tempo não pára nem espera por nós. A natureza prossegue os seus ritmos naturais, apesar de tudo o que possamos ter feito para lhe mudar o pulsar, as estações continuam, e os marcos de passagem perduram.
Assim não quisemos deixar passar este Equinócio. De um dia para o outro, como o sol nasce e se deita todos os dias, fizemos o apelo possível a todos aqueles que pudessem estar para o R'ENCONTRO (foi assim que decidimos chamar a esta iniciativa). Primeiro de muitos reencontros da 'Tribo' que se encontrou no Vida Verde.
Foi então no passado dia 21, que nos reencontramos com alguns dos companheiros, no Parque das Nações.
Foi bom sentir, ser, fluir, abraçar, comemorar, dançar, cuidar e rir de novo juntos!
Foi um tempo para trazer de novo à presença o Circulo com todos os companheiros que se reuniram para este R'encontro.
Foi tempo de preparar a sementeira... para próximos R'encontros.
Percorremos o caminho do R'Conectar, depois do R'Lembrar, para a seguir R'Viver, depois R'Centrar. Sendo que o propósito de estarmos juntos para R'Pensar, fazendo algumas R'Vivências no sentido de R'Celebrar e de R'Consagrar este ritual de passagem do tempo que vem do fim dos tempos, onde humanos e natureza celebravam juntos os ritos de passagem, consagrando os elementos, da terra, da água, do fogo, do ar, e do éter.
Depois de nos reunirmos de novo, ficou a vontade de continuar a caminhar nesta direcção. Havemos de voltar a este r'encontro, da próxima vez alargando o circulo a mais companheiros, programando e integrando com mais tempo a informação, juntando mais energia, e trazendo à terra, para o campo da acção a visão com agora nos vamos guiando. Criando comunidade e semeando criatividade!

21 de setembro de 2005

Dia de Dharma

SOFIA

Solto a minha água
sem represas
solto ao largo
a minha onda
solto a minha chuva
sem granizo
Caio numa cascata suave
em nuvens húmidas de amor
Crio cristais
nunca vistos com este pensamento
fluindo como música que me vêm aos ouvidos
Danço com essa água limpida
transparente e deixo o rio
correr na direcção que tem que tomar,
sem revolta,
fluindo apenas,
fluindo e sentindo,
sentindo

18.09.2005
Arpe

18 de setembro de 2005

Solidariedade com Comunidade de Paz*

semear-solidariedade_logo
No dia 21 de Setembro, a partir das 16 horas, no Largo de Camões, em Lisboa, terá lugar uma concentração de apoio à Comunidade de Paz de San José de Apartadó, com uma série de iniciativas simbólicas que incluem a gravação vídeo de mensagens de solidariedade. Estão todos convidados a participar no evento e expressar dessa forma o apoio a uma comunidade que corajosamente cria alternativas não-violentas de resistência e serve de inspiração aos que procuram formas de manter espaços de paz e solidariedade no seio de conflitos violentos.

A Comunidade de San José de Apartadó, estabelecida em 1997 por pessoas forçadas a deslocarem-se devido ao conflito armado colombiano, continua fiel ao seu compromisso de não violência e neutralidade, procurando construir um futuro sem armas. Recusam a presença no seu território de qualquer agente armado mas, contudo, desde que se declararam comunidade de paz, têm vindo a sofrer constantes violações de direitos humanos que pretendem debilitá-la e mesmo aniquilá-la. Até agora já perderam mais de 130 dos seus membros. A 21 de Fevereiro deste ano, data que esta concentração pretende relembrar, oito dos seus membros, incluindo crianças e um dos fundadores, Luís Eduardo Guerra, foram torturados e massacrados. O governo recusa-se a reconhecer o compromisso da comunidade com a desmilitarização e a rejeição das forças armadas, insistindo em tratar os seus membros como colaboradores da guerrilha.

Este evento pretende enaltecer a luta, feita através das palavras e não das armas, desta comunidade que há muito se debate pela paz com justiça no seu território, bem como divulgar as violações de direitos humanos em território colombiano.

Acções semelhantes terão lugar, nesse mesmo dia, em Madrid, Berlim, Viena, Roma e San José de Apartadó.

Contamos com a vossa manifestação de solidariedade com o vosso apoio na luta contra a impunidade na Colômbia.

*Informação fornecida pelo Grupo de Amigos de San José de Apartadó

21 de Setembro
Dia de Acção pela Paz e contra a impunidade na Colômbia
Demonstrações públicas de apoio em Lisboa, Berlim, Madrid, Viena e Roma

Lisboa:
Largo de Camões
Convoca: Grupo de Amigos de San José de Apartado

Programa
(provisório):
16.00»
Acção simbólica de memória: pintura de pedras com os nomes dos membros da Comunidade de Paz assassinados, à semelhança do monumento existente em San José

17.00»
Artistas em solidariedade com San José: Demonstração de capoeira
17.30 »
Pintura das faixas alusivas a San José
18.30 »
Artistas em solidariedade com San José: Dança
19.00 »
Artistas em solidariedade com San José: Música com Al’Gazarra
19.45 »
Cadeias de fogo
20.00»
Fim do evento. Recolha dos desenhos, gravações vídeo e mensagens escritas

Em paralelo
(ao longo do evento):
» Banca de informações
com documentos sobre San José
» Gravação vídeo,
ao longo de toda a tarde, de mensagens de apoio a San José que serão
depois recompiladas em DVD

» Espaço para mensagens escritas
» Exibição de um documentário
sobre San José, caso se reúnam as condições para tal,
com legendagem em inglês.

17 de setembro de 2005

PobrezaZero » Manifesto

semear-solidariedade_logo
Mais de 900 Organizações Internacionais em estreita coordenação com organizações e movimentos sociais de base em mais de 100 países promovem a maior mobilização de sempre na história da luta contra a pobreza no mundo. A sociedade portuguesa não pode ficar indiferente.

Junta-te a nós e faz ouvir a tua voz!

Unindo as nossas vozes manifestamos:

QUE a persistência da pobreza e da desigualdade no mundo de hoje não tem justificação. Apesar dos esforços realizados durante décadas, a desigualdade entre ricos e pobres continua a aumentar. Hoje, mais de 3.000 milhões de pessoas carecem de uma vida digna por causa da pobreza. Fome, SIDA, analfabetismo, discriminação de mulheres e meninas, destruição da natureza, acesso desigual à tecnologia, deslocação maciça de pessoas devido aos conflitos, migrações provocadas pela falta de equidade na distribuição da riqueza a nível internacional… São as diferentes facetas do mesmo problema: a situação de injustiça que afecta a maioria da população mundial.

QUE o desenvolvimento sustentável no planeta está seriamente ameaçado porque um quinto da população mundial consome irresponsavelmente, com a consequente sobre-exploração de recursos naturais.

QUE as razões da desigualdade e a pobreza se encontram na forma como organizamos a nossa actividade política e económica. O comércio internacional e a especulação financeira que privilegia as economias mais poderosas, uma dívida externa asfixiante e injusta para muitos países empobrecidos, bem como um sistema de ajuda internacional escasso e descoordenado tornam a actual situação insustentável.

QUE para conseguir a eficácia das políticas de Desenvolvimento Institucional, o Desenvolvimento Humano Sustentável e Bens Públicos Globais é imprescindível implementar uma governação global democrática e participativa.

QUE o crescimento económico espectacular dos últimos anos não contribuiu para garantir os direitos humanos nem para melhorar as condições de vida em todas as regiões do mundo, nem para as pessoas, independentemente da sua condição, género, etnia ou cultura.

QUE lutar contra a pobreza, nas suas diferentes dimensões, significa actuar contra a exclusão das pessoas, a favor das garantias dos seus direitos económicos, sociais e culturais que se traduzem em protecção, trabalho digno, rendimento, saúde e educação, poder, voz, meios de subsistência sustentáveis, em condições de igualdade. É um compromisso irrenunciável e inadiável: toda a sociedade no seu conjunto é responsável pela sua concretização.

Unindo as nossas vozes queremos:

» MAIS AJUDA pública para o desenvolvimento, dando prioridade aos sectores sociais básicos, até alcançar o compromisso dos 0,7% do PIB.

» MELHOR AJUDA, desligada de interesses comerciais, orientada para os países mais pobres e coerente com os Objectivos do Milénio.

» MAIS COERÊNCIA nas diferentes políticas dos nossos governos para que todas elas contribuam para a erradicação da pobreza.

» PERDOAR A DÍVIDA: os países ricos, o Banco Mundial e o FMI devem perdoar a 100% a dívida dos países mais pobres.

» DÍVIDA POR DESENVOLVIMENTO: investir os recursos criados pelo perdão da dívida dos países pobres para alcançar os Objectivos do Milénio.

» MUDAR AS NORMAS DO COMÉRCIO internacional que privilegiam os países ricos e os seus negócios e impedem os governos dos países pobres de decidir como lutar contra a pobreza e proteger o meio ambiente.

» ELIMINAR OS SUBSÍDIOS que permitem exportar os produtos dos países ricos abaixo do preço de custo de produção, prejudicando o sustento das comunidades rurais nos países pobres.

» PROTEGER OS SERVIÇOS PÚBLICOS com o fim de assegurar os direitos à alimentação e o acesso à água potável e a medicamentos essenciais.

» FAVORECER O ACESSO À TECNOLOGIA por parte dos países menos desenvolvidos, de acordo com as suas necessidades, para que possam usufruir dos seus benefícios.

Lisboa, 1 de Julho de 2005

16 de setembro de 2005

Directamente da terra

fruta_da_terra
Produtora e vendedora dos seus produtos. Mercado de Vila Franca de Xira

A cada momento somos chamados à Consciência; para os nossos actos, quando respiramos, quando comemos, quando compramos. Neste acto 'aparentemente' banal, é importante que saibamos onde, como e por quem foram plantados, cuidados e colhidos os produtos que comemos. Todos os dias podemos tomar decisões conscientes e são esses 'pequenos' gestos que fazem TODA a diferença.
Hoje de manhã consegui esclarecer a minha querida mãe sobre as vantagens de comprar produtos aqui da terra. Ao fazê-lo, estive contribuindo conscientemente para a sustentabilidade económica, social e ambiental não só da minha região, como também do planeta.
Quando fazemos estas escolhas conscientes, estamos tomando uma importante decisão de Gestão; gestão das nossas vidas de da nossa qualidade de vida, medidas essas que terão um impacto maior do que imaginamos... como diz Marcos Arruda, economista e um dos grandes especialistas mundias da sócio-economia solidária, "a Economia Solidária (...) trata de muito mais do que a mera actividade de produzir para sobreviver. Ela é a arte da vida. Ela (eco=casa; nomia=gestão) desafia-nos a gerir e a cuidar das diversas casas que habitamos (o corpo, a casa da familia, a comunidade, o munícipio, o ecossistema, o pais e o planeta)".
Comprar, não tem que ser mais um acto vazio, um mera troca, mas sim mais uma oportunidade de nutrir o coração, enchendo-o de alegria, com a beleza e o carinho que é posto nessa troca; vejam o exemplo desta mulher, que vende o que produz (aqui bem perto de onde vende) e como se reflecte a forma de cuidar das frutas do seu pomar, com o cuidado da sua exposição na banca.
Por isso deixo um conselho: visitem mais os vossos mercados. Ao menos a percentagem que (suspostamente) pagamos 'a mais', não reverte para pagar o petróleo (necessário) para o transporte de alimentos, por avião, barco e camião, que segue para os hipermercados. Essa é a maior fatia do que pagamos quando pagamos os produtos que compramos nos hiper. A menor fatia desse preço, apregoado como 'mais baixo', vai para o agricultor. Comprando nos mercados, de preferência produtos da região, (quanto mais directo do produtor, melhor) estamos não só beneficiar o produtor, que vê o seu modo de vida preservado, como contribuimos para a sustentabilidade da agricultura tradicional, um gesto de dimensão sócio-económico-solidária que beneficia todo um ecossistema, da casa que é o nosso corpo, à casa de todos que é o planeta Terra; o seu bem estar também agradece!

14 de setembro de 2005

Continuem a mandar Postais!

POSTAL_VIA_PAZ
Roma: Via della Pace

Receber uma mensagem assim é de encher o coração.
Continuem a mandar mais postais destes!

De coração a coração: a prática

1_Ikebana
©Alexandre Pereira* arranjo de Ikebana

Celebro a alegria que sinto no coração pelo meu primeiro arranjo de Ikebana! Na verdade é um Moribana, que é uma variante do Ikebana... bom... a quem interessar aprofundar esse conhecimento, aconselho este livro maravilhoso.

São estes os momentos de reencontro com o Ser, que quero celebrar aqui e agora, de regresso ao coração; que esta felicidade, seja também a vossa felicidade!

Que possa ainda, ser estendida a todos os nossos amigos, familiares e companheiros de caminho, de todas as tribos que estão construindo uma via para a sustentabilidade do Planeta. Que essa felicidade seja extendida também a todos os seres sensíveis que habitam o planeta terra.

Que seja ainda entendida aos aos que nada têm, aos desconhecidos, e até mesmo aqueles que ainda não conseguimos perdoar.

Que esta felicidade seja um abraço cósmico de amor e de paz, no coração do universo.

Pintura com Carta Astrológica

Uma ideia muito bonita vinda da Tribo da Luz.
No seu longo caminho artístico,
Felippa Lobato tem procurado desenvolver um percurso em torno da evolução da Conciência humana. No seu mais recente projecto, Felippa, irá procurar mais uma vez, através da sua pintura, (www.art-for-all.com) integrar a dimensão da Conciência. Desta vez, a ideia é a de pintar a carta astrológica de uma pessoa, para que esta possa, ao contemplar este trabalho, "activar o despertar do ser que é, cumprindo de forma mais consciente a sua Existência".

Pintura_Carta_Astro©Fellipa Lobato

Para saber mais sobre este projecto, contacte directamente com a artista, telefonicamente para o 219240232, ou ainda por mail para
felippalobato@sapo.pt

12 de setembro de 2005

Até já companheiros da Tribo Verde

Terminou ontem, ao som das flautas mágicas de Rao Kyao, a Vegetariana 2005.
Grande encontro da "tribo Verde" que partilhou conhecimento, sabedoria, saber, sabor e amor. Foi um evento que mais uma vez comprovou a relevância desta iniciativa, fundamental para a sensiblização da população portuguesa destes (novos) modos de vida. Mais do que a cozinha vegetariana ou vegan, foi possível nutrir o corpo, a mente e espirito.
Tive oportunidade de participar ontem de duas importantes palestras da Ananda Marga, com Dada Dyanananda, sobre Yoga e Misticismo, que nos falou directo ao coração e a segunda orientada por Didi Ananda Tapati, que veio partilhar connosco uma nova visão revolucionária da Educação Neo-Humanista. Sai de taça a transbordar!

raokyao_2
©Site Vegetariana 2005

Entre encontros e abraços a amigos e companheiros que por aqui se cruzaram, foi tempo de reconfortar o corpo com um belíssimo jantar servido pelos irmãos da Ananda. Houve também a oportunidade de celebrar o (re)encontro com amigos perdidos no caminho, que tive oportunidade de rever aqui na Vegetariana, acompanhado pela magia sonora de Rao Kyao. Agradeço a este 'mago da flauta' que me levou de volta às memórias de comunhão e encontro, recordando os belos momentos vividos (particularmente) neste verão.
Depois de um concerto assim, ficou aquela energia que vêm quando não queremos ir embora, quando nos deixamos ficar num abraço mais prelongado, quando o que nos faz sentido dizer, não é - adeus, até para o ano! - mas sim - até já companheiros da Tribo Verde!

Dia de dádiva

À alguns meses atrás começei pondo em prática, todos os dias, uma das Sete Leis Espirituais do Sucesso de Deepack Chopra; embora nem sempre me lembre (ainda) e nem sempre esteja atento, hoje decidi fluir com a atenção. Estando com a minha 'taça' plena de Amor, hoje celebro a dádiva da amizade.
Pés_amigos
Celebro o abraço, celebro o ombro de um amigo que é para sempre, daqueles que choram conosco as nossas lágrimas e riem com os nossos dentes, que brincam e chapinham com a nossa água. Daqueles que não têm horas para nos receber, daqueles em cujos corações parece haver sempre um lugar mágico que podemos visitar.
Celebro a dádiva da amizade, por todos aqueles outros seres que nos saúdam no dia; os animais que nos rodeiam com o seu latido feliz ou o seu miar languido, ou ainda aqueles outros que com o seu canto, nos fazem vibrar de alegria.
Celebro também a dádiva da amizade, estendendo a todos aqueles que ainda não encontraram amigo, aqueles que estão desamparados, abandonados e se vêem no fundo de um qualquer poço; celebro com esses seres, vítimas de muitas causas de sofrimento, a amizade maior
- a fraternidade - por também serem nossos irmãos.
Celebro ainda a dádivada amizade de toda a vida animada e inanimada no planeta Terra, de todos os seres sensíveis; dos rios, dos ocenanos, das montanhas, das pedras, da terra, da areia, das conchas, que em cada recanto da Gaia, nos dão a sua amizade, com a sua sombra, o seu chão, a sua segurança, que nos refrescam e abraçam como um colo de um útero que nos nutre e ama.
Celebro a dádiva da amizade cósmica de toda a energia manifesta aqui e agora neste presente, neste planeta azul pleno de vida.
Que este dia seja pleno de dádivas para todos.

9 de setembro de 2005

Reencontro com a Tribo Verde

Hey! Feliz por vos reencontrar meus irmãos da tribo Verde!
Hey! Sentimento de comunhão convosco, aqui reunidos de novo, juntos de novo.
Foi assim o reencontro, ontem na Vegetariana, em Oeiras. Foi bom rever tantos e tantas companheiros(as) de caminho, cada um(a) empenhado(a) na sua missão. Uns cuidando, outros curando, outros ainda servindo, divulgando novos modos de vida, novas formas de retorno à natureza, de retorno à essência.
Foi bom abraçar de novo a grande família da tribo Verde; o abraço da Helena, da Teresa, do Paulo, da Mila, da Isabel da Ana, do Bruno... tantos irmãos da tribo que se conhecem pelo o som de nascença de cada um.
Mundo de diversidade, com tantas coisas interessantes para ver, escutar e aprender. Foi por entre abraços, sorrisos, afectos e carinhos que reencontrámos o Dada da Ananda, servindo um belíssimo manjar vegetariano e vegan. Recomendo vivamente a visita à tenda dos irmãos da Ananda. Serão recebidos pelo sorriso aberto de coração do irmão Kalyanesh; a não perder! (o manjar e o sorriso).

harida
©site Vegetariana 2005

Depois podemos deixar-nos transportar pelos sons e odores do incenso que circulam pelo espaço do Jardim de Oeiras. Ontem escutámos os sons vindos do palco principal, tocados por Harida and Friends.
No fim da noite, não me despedi de todos os meus irmãos da tribo Verde, porque sei que irei voltar. Até já, reencontramo-nos na vegetariana mais logo!
Assim irei, hey! Ho!